Filantropia versus política pública

0
81

Novamente, a sociedade bebedourense compareceu à Festa Direito de Viver para contribuir com o Hospital de Câncer de Barretos. Justa retribuição para a instituição de saúde em que milhares de pessoas se tratam gratuitamente.
Daqui a algumas semanas, começa a Festa da Unidade, organizada por paróquias da cidade. Também tivemos a Festa do Caminhoneiro, com renda revertida a entidades assistenciais. Entra nesta lista a Festa do Educandário Santo Antônio. São alguns exemplos para mostrar o farto calendário de eventos filantrópicos realizados em Bebedouro, todos, Graças a Deus, sem prejuízo.
Porém, enquanto a sociedade se organiza para manter instituições de saúde e de assistência social, pouca gente repara na falta de política pública para estas duas areas importantes. Em Brasília, temos ministérios da Saúde e Ação Social, mas os investimentos nas cidades não são o suficente. Embora 80% dos impostos recolhidos se revertam para o Governo Federal, não há distribuição adequada.
Por mais que todas as cidades e até artistas se mobilizem, chegará o tempo em que a direção do Hospital de Câncer não conseguirá sozinha sustentar a manutenção. Já que não há tratamento público da mesma qualidade oferecido pelo SUS, o aporte de verba federal tem que ser o triplo do que é feito. Porém, não foram poucas as vezes em que a direção teve de apelar para deputados e senadores, para que fosse elevado um pouco o repasse.
O mesmo pode-se dizer das ONGs, como Educandário Santo Antônio e Casa de Santa Clara, ambas com a missão de amparar e educar crianças, assumidas por religiosos – que a princípio deveriam apenas rezar por um mundo melhor – que tiveram a coragem de exercer funções que, constitucionalmente, são dos governos estadual e federal.
Do jeito que a coisa está, a sociedade colabora duas vezes, com o pagamento obrigatório de tributos e com ajuda nas festas beneficentes. Daqui menos de um ano, teremos eleições federais. Tudo isto deve estar nas mentes de todos na hora de escolher deputados, senadores, governador e presidente. Por que, por enquanto, embora as pré-campanhas feitas nos horários eleitorais sejam bonitas, são ocas de propostas.

Publicado na edição nº 9624, dos dias 19 e 20 de novembro de 2013.