

Os dicionários definem filho temporão como aquele que nasceu bem depois do irmão que o antecede ou muito tempo após o casamento dos pais. Dá pra perceber que filho temporão é aquele que veio sem ser planejado ou fora de época. Filho temporão é popularmente chamado de raspa do tacho. Os sinônimos para temporão não são bonitos: extemporâneo, serotino, tardeco, tardeiro, tardio, desazado e até inoportuno. Só para citar alguns. Ser filho temporão tem algumas vantagens e muitas desvantagens. Cansei-me de ter que explicar que o Miguelão Kfouri, a Deca Kfouri, o Júnior da Leyla, o João Cosmo Festozo e a Heloísa Festozo, só para citar alguns de Bebedouro, são meus primos de segundo grau. Meus primos de primeiro grau são Heleninha Kfouri, Márcia Kfouri, o Zé Kfouri, Leyla Kfouri, Sueli Kfouri, Zé Mauro Kfouri e Paulinho da tia Hilda, só para citar os de Bebedouro.
Continuando o relato da minha fase de temporão. No meu caso, eu nasci em 25/07/1955, com uma diferença para o meu irmão Paulo Sérgio de Almeida de 14 anos, e para minha irmã Ângela Rosa de Almeida de 12 anos. Abro um parênteses aqui para dizer que eu falei um pouco do meu nascimento na crônica “O Tumor da Dona Olga”. Portanto eu fui um filho temporão bem caracterizado. Uma das poucas vantagens de ser filho temporão é que os pais têm muito mais cuidado e, em consequência, acaba sendo muito mais mimado. Mas as desvantagens são muitas. Eu não tive irmãos com idades próximas da minha para brincar. Para piorar a situação, meus irmãos saíram de casa para tocar as suas vidas. Meu irmão estudou de 1960 até final de 1964 na PUC em São Paulo. Em 1965 retornou para Bebedouro e se casou no ano seguinte. Por sua vez, minha irmã se casou em 1962, com 21 anos. Portanto, fui criado como se fosse filho único. Eu sempre fui um pouco filho dos meus irmãos. Sinto também de não ter conhecido meus avós Calil Kfouri e Dona Rosa. Como também não conheci meu avô paterno Vicente Cândido de Almeida. A minha avó Angelina Almeida, mãe do meu pai, tinha muita idade quando a conheci e faleceu em 1972. Eu nunca soube o que é ser neto de
Eu fui tio com 9 anos de idade do meu saudoso e querido sobrinho Robertinho, sem, no entanto, entender à época o que era ser tio. A diferença de 14 anos pesa bastante. Quando eu tinha 4 anos de idade e nem ia na escola, por outro lado, o meu irmão tinha 18 anos. Com 18 anos pode-se beber e fumar livremente, namorar, ir a bailes, guiar, ir no Querosene, ir no Carnaval à noite, chegar tarde em casa, até votar e outras vantagens. Deixo um agradecimento muito especial a minha irmã Ângela Rosa de Almeida que ajudou minha mãe a me criar e deu bastante suporte. Agradeço também meu querido cunhado Betinho, por tudo o que fez por mim. Finalmente agradeço meu irmão Paulo Sérgio de Almeida pela força que sempre me deu e pelos conselhos. Somente na minha fase adulta é que me senti irmão dos meus irmãos. Contudo me sinto extremamente feliz pela educação que me deram e por tudo que vivi com minha família, com os parentes e com os amigos. Fica aqui mais um registro verídico que fica armazenado na memória.
(Colaboração de Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com atuação em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente como consultor técnico).
Publicado na edição 11.028, quarta, quinta e sexta-feira, 26, 27 e 28 de agosto de 2026 – Ano 102


