
As gerações passadas foram imprevidentes e não perceberam – ou não quiseram perceber – que o exaurimento dos recursos naturais da Terra significa suicídio coletivo. Na verdade, um ecocídio, ou seja, a matança de tudo o que é vivo sobre a face da Terra.
Para muitos, já ultrapassamos o ponto de inflexão. Ou seja: estamos condenados a desaparecer, já que fomos inquilinos muito cruéis da nossa Casa Comum. Para outros, ainda há esperança. E pensando nisso, em 2024 foi lançado um Fundo de Ação Climática da Juventude, pela Bloomberg Philanthropies em parceria com a Universidade Johns Hopkins e das redes de cidade C40 e CGLU.
O propósito desse Fundo é apoiar cidades ao redor do mundo a financiar e implementar projetos climáticos desenvolvidos por jovens. O ideal é a faixa etária dos 15 aos 24 anos, pois essa geração é a que mais sofrerá os efeitos inclementes da resposta que a natureza ferida oferece à humanidade perversa.
A sobrevivência da humanidade – e de toda espécie de vida na Terra – depende do protagonismo juvenil na implementação de soluções locais para a crise climática.
É na cidade que as pessoas nascem, vivem e morrem. Portanto, é na cidade que as soluções locais devem ser criadas, imaginadas, postas em prática e disseminadas.
O Fundo de Ação Climática da Juventude oferece 50 mil dólares e assistência técnica para promover competições de inovação aberta e mobilizar os jovens para projetar, desenvolver e implementar soluções que atendam às necessidades locais urgentes alinhadas às metas climáticas da cidade.
Os municípios que implementarem os 50 mil dólares iniciais dentro de um ano, serão elegíveis para receber mais 50 mil dólares para apoiar mais projetos liderados por jovens.
É uma boa notícia e poderia ser replicada em cada município, a partir do conglomerado de empresas que ali exploram suas atividades e, portanto, auferem lucro que deve, ao menos em parte, ser devolvido à comunidade que as sustenta.
O mundo precisa de boas ideias. Sem elas, seremos condenados à extinção, o que não estava no sonho de qualquer pessoa, por mais alienada que ela fosse. Vamos incentivar a juventude a pensar em alternativas à catástrofe derradeira?
Um veneno chamado plástico
O Brasil despeja 1,3 milhões de toneladas de resíduos plásticos nos mares, todos os anos. Conforme diz João Lara Mesquita, o idealista autor do “Mar Sem Fim”, o litoral tupiniquim parece um favelão. Todas as restingas e mangues destruídas pela especulação imobiliária.
O Brasil é o oitavo poluidor de plásticos do mundo e o primeiro da América Latina. 8% de todo o plástico que chega aos oceanos têm origem no Brasil. 85% dos animais marinhos que ingeriram plástico estão ameaçados de extinção.
Os dados são fornecidos pela organização Oceana, exclusivamente dedicada à conservação dos mares. Tem lutado para a adoção e cumprimento de políticas públicas que impeçam a sobrepesca, a destruição de habitats, a poluição por petróleo e plástico, a perda de espécies ameaçadas, como tartarugas, baleias e tubarões.
Se o oceano se mantiver saudável, ele pode fornecer refeição nutritiva de pescados a um bilhão de pessoas, todos os dias e para sempre. A Oceana publicou “Fragmentos da Destruição”, os impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira. Por essa edição fica-se sabendo que 200 espécies marinhas já foram registradas com ingestão de plástico no Brasil. 9 das 10 espécies de peixes comerciais mais capturadas para consumo humano já ingeriram plástico. Fragmentos de sacolas e embalagens flexíveis são os itens mais ingeridos por tartarugas. 77% dos estômagos analisados, de aves, tartarugas e mamíferos tinham plástico.
Todos somos responsáveis. Pense nisso quando escolher o plástico em lugar da sacola de papel ou aquela de lona, que se tinha em casa antigamente. E seja consciente ao não jogar plástico na praia, mas também na rua, pois ele chega aos bueiros, que vão para os córregos, rios e atingem os mares. A questão do plástico é o segundo problema em ordem de gravidade que a humanidade enfrenta. O primeiro é o próprio aquecimento global, gerado pela excessiva emissão dos gases causadores do efeito-estufa. Ou seja: nós, sempre nós e só nós é que podemos salvar a Terra ou acabar com ela.
(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo).
Publicado na edição 11.022, quarta, quinta e sexta-feira, 29, 30 e 31 de julho de 2026 – Ano 102





