Grupo Escolar Coronel Conrado Caldeira

Dymiro Vita

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Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com atuação em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente como consultor técnico

O Grupo Escolar Coronel Conrado Caldeira foi fundado em 1942, após uma série de adiamentos. Fica na Rua Rubião Junior. Foi o segundo grupo de Bebedouro e era chamado Grupo Novo. Após a mudança da nossa família de Orlândia para Bebedouro, em julho de 1960, minha mãe Olga Kfouri de Almeida começou a lecionar no terceiro ano desta escola. Em 1961 fui matriculado no Jardim da Infância e posteriormente cursei os quatro anos do primário até 1965, também no Conrado Caldeira. Eu estudava no período da tarde e ia todo dia de manhã na casa da tia Hilda brincar com o Paulinho no quintal. A gente morava cerca de cinco quarteirões do Conrado Caldeira. Recordo com muita saudade dos meus tempos no grupo. Foi onde eu fui alfabetizado, apesar que eu realmente aprendia com as aulas particulares da minha mãe. Também me recordo, não com muita saudade, do diretor do grupo, sr Franz Tribst, um alemão truculento e bravo, pai da Zanza, esposa do Junior da tia Ivone. Quem aprontasse no horário do recreio era colocado pelo servente de castigo debaixo da escada. Ao final do recreio descia o seu Franz Tribst com a cara fechada. Pegava no pescoço da gente, fazia a gente se curvar, subir a escada de costas e levava pra classe. Eu injustamente e invariavelmente estava no time do castigo.

Eu já vinha observando que o sino do sinal de recreio e de saída ficava numa sala perto do pátio do recreio. Certo dia, eu pedi para ir ao banheiro e fui até a sala do sino. Não tinha ninguém e eu toquei o sino e voltei pra classe. Todas as classes começaram a sair. Quando já estavam na calçada, veio um servente apavorado dizendo que ainda eram 15h. Tarde demais, todo mundo foi embora. Chegando em casa, minha mãe comentou sobre o que aconteceu. E frisou, estão procurando quem tocou o sino fora do horário. Eu disse: “mãe, fui eu”. Ela quase teve um troço. Falou um monte pra mim. Ela já não aguentava mais de tanta reclamação de mim no grupo.

De outra vez, distribuíram um questionário para ser respondido pelos alunos. Tinha a seguinte pergunta no cabeçalho: “O que você quer ser quando crescer”? e várias alternativas de profissões: médico, dentista, engenheiro, padre, e outras. Eu era muito gozador e assinalei padre. Passado mais ou menos um mês, aparecem dois padres em casa procurando por mim. Minha mãe atendeu. Um deles disse: “é aqui que mora o menino Waldomiro Almeida Junior? Minha mãe prontamente respondeu: “o que foi que ele fez dessa vez”? O padre disse que eu não havia feito nada. Aí  explicou. Nós somos do Seminário de Rio Claro. Como seu filho colocou no questionário que gostaria de ser padre, nós viemos convidá-lo a ir conosco para o seminário. Minha mãe disse isso: “Ele com certeza fez uma brincadeira, mas alerto vocês que ele é o pior elemento do grupo escolar. Eu não quis dar aula pra ele. No entanto, fiquem à vontade para conversar com ele”. Os dois padres agradeceram e se mandaram. Aguentei um outro monte da minha querida e saudosa mãe, que foi uma excelente professora e uma mãe protetora.

(Colaboração de Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com desempenho em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente atuando como consultor técnico).

Publicado na edição 11.030, quarta, quinta e sexta-feira, 2, 3 e 4 de setembro de 2026 – Ano 102