Indivíduo ou sociedade?

José Renato Nalini

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Qual a preocupação que deve ocupar, com prioridade, a consciência dos humanos? Indivíduo ou sociedade? Existirá algum antagonismo entre ambos? Rousseau insistiu na autonomia do indivíduo, sonhou com a sua autossuficiência. Mas não deixou de enfatizar a soberania do povo, único titular de seu destino. O povo está sabendo exercer a sua soberania? Como é que ele controla o poder?

Em quem é que os pensadores devem fazer incidir suas teorias? No ser humano ou na coletividade? Talvez a conversão tenha de começar em cada indivíduo. Gradualmente, chegar-se-ia à modificação da própria sociedade. Talentos otimistas como o de Condorcet, acreditam que, se houver real empenho, o mal será erradicado da face da Terra. Para isso, é preciso educar a criança. Educá-la para um convívio harmônico, para a harmonia construtiva. Se a educação fosse levada a sério, um dia todos os humanos seriam pacíficos, satisfeitos e desenvolvidos.

Afinal, um dos objetivos da educação é justamente fazer com que os dons individuais sejam lapidados, eventuais vícios ou defeitos sejam removidos, num aprimoramento espiritual que faça o educando chegar à sua potencialidade máxima de ser perfectível.

Fora observado esse princípio e a conclusão desejável seria a produção de um homem novo, até alcançar uma sociedade nova. Para o desenvolvimento desse projeto, é preciso prover a comunidade de boas leis. Na Assembleia Francesa, Saint-Just profere uma frase emblemática: “O legislador comanda o futuro; de nada lhe serve ser fraco; cabe-lhe querer o Bem e perpetuá-lo; cabe-lhe tornar os homens o que deseja que eles sejam”.

O que será que os homens querem ser? Alguém consegue detectar seus anseios?

Numa sociedade pluralista e complexa, onde o único aparente consenso é a mais absoluta falta de consenso, parece inviável obter qualquer unanimidade. Diante desse quadro, impõe-se ao educador formar lideranças que possam criar os ajustes viáveis, para que o Brasil tenha perspectivas auspiciosas. Uma Pátria é mais do que uma nação dividida, polarizada, com instigação de ódio e violência. O que o mundo precisa é de amor. E o Brasil, mais do que muitos outros países.

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022).

Publicado na edição 10.651, de sábado a terça-feira, de 12 a 15 de março de 2022.