‘Inshalá’ telenovelas completam 70 anos no Brasil

Marcos Pitta

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(Reproduçã

‘Não é brinquedo não’, diria Dona Jura, eterna personagem de ‘O Clone’ ao ouvir que em 21 de dezembro, as novelas completam 70 anos no Brasil. Sete décadas divertindo, emocionando, apresentando e discutindo comportamentos, culturas e reunindo a família à espera das cenas do próximo capítulo.

Bianca, interpretada por Isabelle Drummond em ‘Caras e Bocas’ diria que ‘É a Treva!’ imaginar que um dia este gênero iria acabar. Certa está ela, não acaba, não. O streaming bem que tentou, mas as novelas aprenderam o jeitinho brasileiro e conseguiram driblar isso. A prova está no sucesso que ‘Verdades Secretas II’ está fazendo na plataforma on demand da Globo, o Globoplay.

‘Oxente my God’ expressou-se Maria Altiva, de ‘A Indomada’ ao saber os números da segunda temporada da história de Angel, divulgados pela jornalista Patrícia Kogut, no Jornal O Globo: “mais de 365 mil pessoas assistiram à obra de Walcyr Carrasco no Globoplay, em quatro dias”.

Muda-se a forma de consumir, a maneira de entregar os capítulos ao espectador, o aparelho em que se assiste, mas não se muda a essência da novela, o ganho que deixa todos irritados esperando o próximo capítulo, os comentários no trabalho, na roda de amigos, na mesa do bar, nos grupos e comunidades das redes sociais. Isso, não tem como mudar.

‘O tempo ruge e a Sapucaí é grande’, mandou dizer, sem paciência, Giovanni Improta, de ‘Senhora do Destino’, às pessoas que dizem por ai sobre a novela estar ultrapassada. Tanto não está, que a Globo apostou em mais uma faixa de reprises à tarde e conseguiu o que mais queria: tirar a liderança da RecorTV no horário. Desde segunda (6), ‘O Cravo e a Rosa’ está sendo reexibida nas tardes da emissora e a audiência fez jus à escolha. Vale lembrar que esta é a quinta exibição da trama escrita por Walcyr Carrasco. ‘Arebaba!’, gritaram os personagens de ‘Caminho das Índias’.

Em todos estes anos, não só a Rede Globo, mas SBT, Band, RecordTV, extinta Excelsior e TV Tupi apresentaram novelas ‘De Catiguria’, com dizia Bebel em ‘Paraíso Tropical’. Prova disto é ‘Pantanal’, grande sucesso de Benedito Ruy Barbosa, na Tupi, que ganhará remake em fevereiro, na Globo. SBT, conhecido pelas exibições de tramas mexicanas, fez sucesso com produções como ‘Vende-se Um Véu de Noiva’ e ‘Revelação’, além de remakes como ‘Amigas e Rivais’ e ‘Esmeralda’.

‘Chamas da Vida’, da RecordTV foi uma novela de tirar o fôlego, assinada por Christianne Fridman. ‘Prova de Amor’, da mesma emissora também fez a Globo, líder de audiência, sentir aquela famosa dor de cotovelo. Recentemente, a emissora cativou público com novelas bíblicas e ‘Os Dez Mandamentos’ entrou para a história, chegando a vencer, pela primeira vez, uma novela das nove da concorrente. Por isso, nesta crítica, a RecordTV pega emprestado o bordão de Márcia de ‘Chocolate Com Pimenta’ e diz: ‘Sou chique, benhê’.

Em 21 de dezembro (uma terça), a Globo fará especial sobre a data. Atores, atrizes, diretores e autores dão depoimentos sobre as novelas. Afinal, por mais que uma pessoa não seja fã do gênero, certamente já acompanhou um capítulo, entrou em alguma discussão ou usou um famoso bordão, como estes citados acima. O fato é que a cada nova estreia, de sete em sete meses, uma nova novela entra no ar, um novo roteirista coloca a cabeça para pensar e os noveleiros vão dizer aos que insistem apostar no fim do gênero: “Vocês não imaginam o prazer que é estar de volta”, igualzinho a Clara de ‘O Outro Lado do Paraíso’.

Publicado na edição 10.631 de 11 a 14 de dezembro de 2021.