Luzes para a guerra

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Até meados do século 20 o organismo humano sofreu severamente com os ataques de fungos e bactérias. Sem muita saída, o sistema imunológico tinha que encarar praticamente sozinho todos os desafios que aparecessem, e normalmente, os perdia.
Em 1928 o bacteriologista Alexander Fleming descobriu, quase ao acaso, a penicilina, que em 1941 transformou-se em medicamento amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial salvando milhares de vidas. Pensou-se então que a batalha contra esses desafetos transformara-se em história, uma página virada. Puro engano! Quem na verdade fez a virada foram eles se transformando em elementos mais poderosos e mais combativos, cerceando o cenário iminente de cura perene dos antibióticos.
Conforme a tecnologia e as pesquisas médicas evoluíram, novos medicamentos foram criados e novas superbactérias surgiram, girando a ciranda de poder disputado milimetricamente entre homem e microrganismos. Tal disputa ocorre nos meandros de nossos corpos ainda sem uma data de expiração.

Tecnologia a favor
Observando a tendência de declínio do poder de cura dos antibióticos frente às superbactérias, o professor Brian Wilson, do Instituto do Câncer de Ontário – Canadá, empreendeu estudos sobre o impacto da terapia fotodinâmica em bactérias orais, culminando em publicações de 1992 que davam conta da eficiência dessa terapia frente às bactérias causadoras de cáries como a Streptococcus mutans, Lactobacillus casei e Actinomyces viscosus.
Da década de 1990 para os dias atuais muitas pesquisas foram realizadas mundo afora, dando continuidade a idéia de Wilson, embora ainda hoje grande parte dos tratamentos se contextualize em âmbito experimental. No Brasil um dos peritos no assunto, o professor Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, tem desenvolvido pesquisas desde 2009 sobre testes de descontaminação bucal utilizando a chamada técnica de fototerapia dinâmica (ou na sigla TFD). Participam desse empreendimento inúmeros institutos de pesquisa e educação, bem como a iniciativa privada.
Em termos gerais, a idéia resume-se em aplicar na região bucal infectada uma substância fotossensibilizadora que é absorvida ou que se adere à membrana dos microrganismos. Na sequência, ilumina-se a região com uma luz de LED de coloração específica, a qual provoca a oxidação e respectiva quebra da membrana, levando os microrganismos à morte certa.

O brilho dos diamantes
Embora sem uma chancela científica, corre na Internet desde 2010 uma criação japonesa baseada em diamantes. Trata-se de um LED, obtido desse precioso mineral, que emite radiação ultravioleta capaz de atingir diretamente o DNA de microrganismos, exterminando-os de forma muito eficaz, sem deixar quaisquer efeitos químicos residuais. Tudo indica ser uma nova onda tecnológica relacionada à fototerapia que surge no menu de opções para o combate às doenças bucais e inúmeras outras das quais os antibióticos já não se mostram tão eficientes.
E de todo esse ferramental criado pelo homem, ao menos um consolo: o nosso sistema imunológico deixou de ser um solitário perdedor.

(Colaboração de Wagner Zaparoli, natural de Bebedouro, doutor em Ciências pela USP, mestre em Ciência da Computação, professor de lógica e consultor. E-mail: wzaparoli@gmail.com).

 

Publicado na edição n° 9492, dos dias 29 de dezembro de 2012 a 2 de janeiro de 2013.