Maldades antigas e atuais

Antônio Carlos Álvares da Silva

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O massacre praticado em uma escola de ensino médio de Suzano, na Grande São Paulo, causou muita revolta nos brasileiros e fizeram relembrar outros anteriores, ocorridos no Brasil e no exterior. Grande parte da revolta advém de sua gratuidade, isto é, a absoluta falta de motivos. Também causa espécie os locais onde são cometidos. Um exemplo: Na Austrália, em uma mesquita, onde as vítimas estavam apenas rezando, tentando uma comunhão com seu Deus. Poderá ser dito, que o massacre de mais de 50 crentes é contra aquela religião. Mas, e aqueles praticados em escolas? Teriam sido praticados por ex-alunos? A explicação perde qualquer justificativa, quando se lembra aquele feito por atirador em um cinema em São Paulo, onde a penumbra da sala, não permitia nenhuma identificação daqueles, que estavam presentes. Nesses e em outros praticados em ambientes coletivos, o único ponto em comum é exatamente locais onde existem várias pessoas e a maldade alcança um número maior de pessoas. A questão é que a mente humana é especulatica e não se cansa de procurar um elo entre atos independentes. Sobre essa tentativa é oportuno o artigo de Fernão Lara Mesquita, publicado no Estadão, de 19/3/19 A-2, vejam sua opinião:
“A maldade e a bestialidade humana existem por si só. A violência gratuita está conosco desde sempre. Lá atrás era de deus em pessoa. Nem bem a espécie começara a crescer e se multiplicar e já ele tinha decidido, que não passávamos de pecadores, que merecíamos o genocídio por afogamento – dilúvio – Sodoma é torrada inteira em represália à preferência sexual de alguns. O próprio Abraão, pai espiritual dos cristãos, dos judeus e dos muçulmanos tem seus valores morais testados, quando deus lhe ordena, que suba ao topo da montanha, corte a garganta do próprio filho e queime seu corpo, assim, por nada…”. O banho de sangue vem, ininterrupto, desde o Gênesis e nossa impotência contra ele continua igual.”
Contra os dizeres desse texto, poderá ser arguido, que revela o entender de uma crença. E as crenças têm muito de fé e pouco de história. Porém, é revelador que eles subsistam há séculos e a humanidade lhes confira grande grau de credibilidade. A história está cheia de fatos, praticados por líderes da humanidade, no qual a maldade mostra sua face dura e áspera. Tudo pode ser debitado à imprevisibilidade do gênero humano, da qual ninguém está a salvo, já que dá o poder de cada indivíduo ser diferente dos demais.

(Colaboração de Antônio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense).

(…)

Publicado na edição 10380, de 30 e 31 de março e 1º de abril de 2019.