Minha Casa, Minha Vida, nossos problemas

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Inscrições para o Jardim Itália revelam situação já suspeita há muito tempo, o perfil inconclusivo do mutuário.

Qualquer pesquisa de opinião ressalta que o primeiro desejo dos brasileiros é a casa própria. Morar em imóvel alugado ou com parentes deve ser situação temporária, porém, nem todo mundo consegue atender as condições impostas pelos órgãos financiadores. E é neste ponto que muitos escolhem o velho e conhecido estilo do “jeitinho brasileiro”, que sempre acaba mal.
Em início da década de 90, véspera da seleção do maior conjunto habitacional da história de Bebedouro, o Jardim Centenário. Candidatos à casa própria arrumaram ‘atalhos’ para que muita gente fosse aprovada pela Caixa Econômica Federal. Um deles foi “ajeitar” nos holerites, uma faixa salarial irreal, apenas para atender as exigências do órgão financiador. Passados os anos, aconteceram os primeiros reajustes das prestações e o que se viu foi um festival de inadimplência e confissões do tipo ‘eu não ganho para pagar tanto’.
Este relato do ocorrido no Jardim Centenário repetiu-se em quase todos os conjuntos habitacionais populares entregues nos últimos 20 anos. Tanto é verdade que basta visitar qualquer um dos bairros para constatar que o morador não é o mutuário beneficiado pela entrega da casa. Há um infindável número de contratos de gaveta, vendas clandestinas dos imóveis, feitos sem autorização legal.
Com este panorama negativo, para os bancos financiadores de conjuntos habitacionais, Bebedouro ficou com má fama. É bom ressaltar que isto também aconteceu em outros municípios. Para evitar novas dores de cabeça, critérios mais rígidos foram estabelecidos para financiar casas próprias.
Tudo isto culmina na situação vivenciada no cadastramento dos candidatos a uma das 442 casas do Jardim Itália. Muitas pessoas não conseguiram preencher os requisitos. É lógico que ninguém é insensível à situação de uma família sem teto para morar, mas dá direito para as obras endureceu o coração depois de tantos calotes. E não tem mais ‘jeitinho’, porque é assim que começam os graves problemas sociais.

Publicado na edição nº 9606,  dos dias 5, 6 e 7 de outubro de 2013.

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