Não titubear: agir!

José Renato Nalini

0
61

As aulas presenciais talvez não sejam viáveis neste fatídico 2021. A vacinação caminha a passos de cágado. Enquanto isso, a contaminação é uma lebre supersônica. Antes de imunizados 70% da população, o que só será possível quando Deus quiser, arriscado propiciar concentrações de possíveis vítimas da peste.

É hora de investir na formação de educadores high-tech. A tecnologia acessível pela internet veio para ficar. Só que muitos não sabem o que fazer com ela. Os governos – estadual e municipal, já que com o federal não se pode contar – têm de propiciar a seus professores o manejo e a desenvoltura com as tecnologias da Comunicação e da Informação.

Há um universo de conhecimento à disposição. Milhões de livros, textos, figuras, filmes, músicas. Tudo para ajudar a criançada a se interessar por pesquisa. O professor do século 21 não pode ser aquele repetidor de velhas postilas, cansado e desanimado, porque não vê o seu trabalho reconhecido. Inclusive pela remuneração, quase sempre vil.

Ele precisa ser um indutor da curiosidade. Um orientador das melhores buscas. Alguém que incentive cada vocação, reconheça na irrepetibilidade de cada educando um caminho próprio. A juventude precisa saber que não haverá empregos, naquela visão antiga que era a de nossos pais, para os que sobreviverem à catástrofe.

Cada qual terá de reinventar sua trajetória, procurar um objeto de interesse e se dedicar a ele com afinco. O empreendedorismo, a criatividade, a inovação, a descoberta de filões ainda ocultos, é o que fará a vida se tornar digna de ser vivida nas próximas décadas.
Um excelente caminho é redescobrir a natureza. Ela tem sido maltratada e até eliminada. Mas sem ela, não sobreviveremos. Somos parte indistinguível dela. A ideia de Gaia, a Mãe Terra, a Mãe Natureza. Generosa e aberta à conversão de quem está mais cuidando de eliminá-la.

Quem cuidar do verde, da água, da biodiversidade, terá seu futuro garantido neste século 21 que é o derradeiro para que a humanidade se convença de que tem trilhado um caminho equivocado. Algo que as gerações do porvir terão de enfrentar. E não estaremos aqui, para nos explicarmos. O julgamento da posteridade não será magnânimo em relação a quem enxerga e faz de conta que não vê.

(Colaboração de José Renato Nalini, Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022).

Publicado na edição 10.577 de 12 a 14 de maio de 2021.