O fuá no trânsito

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Antônio Carlos Álvares da Silva

 

Já toquei no assunto várias vezes. Mas, como a situação não para de se repetir, sou obrigado a voltar a ele. Estou me referindo às costumeiras interrupções no trânsito de ruas da cidade. O trecho da rua, que passa em frente à Igreja Matriz é a campeã nesse quesito. Muitas pessoas podem me questionar: As interrupções são feitas, para realizar eventos, que fazem parte da tradição da cidade. O exemplo maior é a Festa de São João. Tenho aplaudido as festas realizadas naquele lugar. O que critico é o comodismo. As barracas não precisariam ser montadas no meio da rua. Existe espaço em frente à igreja e uma grande praça do outro lado. Aliás, antigamente, era lá, que a festa era montada. Então, mesmo que houvesse interrupção do trânsito, seria apenas à noite e nos dias da efetiva realização. O absurdo é o trânsito ficar interrompido todo tempo, às vezes, durante mais de um mês, quando a festa se realiza apenas em dias alternados e em poucas horas. Pode parecer coisa sem importância, porém, não é bem assim. Eu, por exemplo, tenho que aumentar meu trajeto, duas vezes ao dia, por 600 metros. Considerando, que Bebedouro deve ter hoje uns 40 mil veículos, se apenas 10 mil deles, tiverem, que aumentar seu percurso em 600 metros, dará um total diário de 6 mil quilômetros, ou 180 mil quilômetros em um mês. Sorte da Petrobrás e de alguns postos de gasolina. E, às vezes, a situação fica ainda pior. Quarta-feira última, uma viatura do Corpo de Bombeiros também interrompeu a rua Coronel João Manoel, logo depois da rua Prudente de Moraes (não havia incêndio). Aí, o fuá ficou completo. Os carros ficavam dando voltas em torno da praça central. Será, que não pode haver um mínimo de planejamento?
Outro local, cujo trânsito vem sendo interrompido 5 vezes por semana, embora apenas por alguns minutos, é em frente à Escola Abílio Manoel. O motivo é a saída dos alunos das aulas. Querem assegurar a segurança dos jovens estudantes. Ocorre, que esses alunos são adolescentes. A maioria na faixa de 13 a 16 anos. Presume-se, que tenham discernimento, para atravessarem a rua com segurança. Se cachorros, gatos e cabritos conseguem conviver com veículos, porque uns bezerrões, moradores de uma cidade, com 40 mil veículos, não iriam aprender? É imprescindível, que aprendam. Mas, em Bebedouro virou moda interromper o trânsito. Funcionários da prefeitura e, mesmo qualquer botocudo se acha no direito de interromper a passagem em nossas ruas, a pretexto de descarregar objetos variados, nos horários mais inconvenientes.
Já está na hora de nossas autoridades de trânsito entenderem, que a circulação ampla é direito maior do cidadão. Assegurar essa circulação é obrigação delas. Mas, qualquer um percebe, que isso não está acontecendo.
Exemplos de outras cidades não são seguidos em Bebedouro, por puro comodismo. Cidades muito maiores, como Sorocaba (600 mil habitantes) desligam semáforos nos domingos, feriados e nas madrugadas. Apenas um pisca-pisca funciona. Assim, as motos não precisam passar no sinal vermelho. Dessa maneira facilitam o trânsito e evitam assaltos. Aqui, semáforos de até quatro tempos permanecem ligados, mesmo quando o trânsito é muito pequeno. Um pouco de boa vontade e disposição ajudariam bastante Bebedouro.

 

(Colaboração de Antônio Carlos.Á.da Silva, advogado bebedourense)

 

Publicado na edição n° 9410, dos dias 7 a 11 de junho de 2012.