O SEO não morreu com a IA. Ficou ainda mais exigente

Marcos Pitta

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A chegada das respostas geradas por inteligência artificial ao Google criou uma corrida por nova fórmula de visibilidade. De repente, o mercado começou a falar em GEO, otimização para LLMs, arquivos llms.txt e técnicas específicas para convencer máquinas a citar marcas. Só que novo estudo da Zyppy Signal aponta para conclusão menos mirabolante e, ao mesmo tempo, mais importante: para aparecer na IA, ainda é preciso fazer muito bem aquilo que sustenta um bom trabalho de SEO.

O estudo “Google AI Ranking Factors”, publicado por Cyrus Shepard e construído a partir das respostas de mais de 130 especialistas em busca, avaliou quais fatores podem influenciar a recomendação de sites e marcas nas respostas de IA do Google. No topo aparecem acesso ao rastreamento e elegibilidade para snippets (+2,20), correspondência entre pergunta e resposta (+2,15), presença da marca ou entidade na memória dos LLMs (+2,08) e informações específicas e citáveis (+2,07).

Há mensagem poderosa nesses números. Antes de pensar em como “otimizar para a IA”, precisamos garantir que o conteúdo possa ser acessado, compreendido e, principalmente, que responda ao que alguém realmente perguntou. Parece básico porque é básico. A diferença é que agora a mediocridade fica ainda mais difícil de esconder.

Outro ponto merece atenção: autoridade de marca e confiança aparecem no estudo como elementos mais relevantes do que táticas criadas especificamente para LLMs. Não basta publicar dezenas de textos parecidos, repetir uma palavra-chave ou acrescentar um arquivo novo ao servidor esperando conquistar citações. Uma marca precisa existir de verdade no seu mercado, ser reconhecida, aparecer em outras fontes e produzir sinais consistentes sobre quem é e sobre aquilo que conhece.

Também chama atenção a proximidade entre SEO tradicional e visibilidade em IA. O ranking orgânico recebeu +1,89, enquanto informações próprias e exclusivas aparecem com +1,85. Consenso e corroboração em diferentes páginas da web (+1,81) e reputação da fonte (+1,78) completam esse cenário. Pesquisa própria, entrevistas, dados exclusivos, experiência e conhecimento real entregam algo que a reescrita de outros dez artigos jamais conseguirá oferecer.

A IA também precisa conseguir extrair aquilo que publicamos. Estrutura de conteúdo facilmente interpretável (+1,69) e destaque para a resposta (+1,65) aparecem entre os fatores positivos. Escrever bem para a web passa a significar organizar a informação para que pessoas e máquinas entendam rapidamente onde está aquilo que importa.

O estudo da Zyppy Signal não revela receita matemática do algoritmo e reúne a percepção de especialistas e oferece um sinal relevante para quem está ansioso procurando a próxima fórmula secreta.

SEO para IA não começa na IA. Começa em construir uma marca confiável, tecnicamente acessível, reconhecida fora do próprio site e capaz de publicar algo que mereça ser usado como fonte. A tecnologia mudou a superfície da busca. O desafio de conquistar confiança ficou ainda maior.

Publicado na edição 11.036, sábado a terça-feira, 26 a 29 de setembro de 2026 – Ano 102