Os dois lados do carnaval bebedourense

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Eventos realizados na Estação Cultura, Praça Rio Branco e Sambódromo deram certo, mas houve também rolezinho e crítica sem coerência.

Sem desfile de escolas de samba, mas com muita animação, assim foi o carnaval de Bebedouro. Tudo começou bem com o pré-carnaval da Banda da Lua, em show memorável, na Estação Cultura, que voltou a se apresentar no sábado de Carnaval, no mesmo local, com o dobro do público.
Também tivemos a volta do Capivara, Rui Pastore Sobrinho, no comando do tradicional Bloco Vai-Quem-Quer. O Grupo Samba de Buteco, com a carismática vocalista Ana Maria Pereira, agitou o público na Estação. Para quem não se recorda, ela é a competente e pioneira puxadora de sambas-enredos da cidade.
Quem tem dúvida se o público gostou, basta dar uma olhada nas redes sociais, repletas de postagens de rostos felizes, parabenizando o jeito novo, mas antigo de fazer carnaval de rua em Bebedouro, sem desfile de escolas de samba, mas com marchinhas tradicionais e famílias inteiras a dançar.
Mas infelizmente, o Carnaval de Bebedouro teve um outro lado, com a detenção de 20 adolescentes, que promoveram um rolezinho na região do Lago Artificial. Triste apelar para esta palavra da moda, mas o conceito é o mesmo para o que ocorreu aqui e na Capital. Após confronto com a PM, um bando subiu a avenida Donina Valadão Furquim promovendo danos em posto de combustível e loja de conveniência, destruíram a entrada de auto escola, com danos a um carro e duas motos, além de destruírem um telefone público.
Também, no domingo, um dos fundadores da Associação Bebedourense de Ferreomodelismo, Luciano Marcassa, postou fotos da Estação Cultura, cheia de copos e garrafas (vale ressaltar que no evento não haviam garrafas sendo comercializadas), para criticar a realização de eventos naquele local, que também abriga o Museu do Ferroviário – Oswaldo Schiavon. Porém, basta olhar no perfil do denunciante em rede social, e perceber a incoerência. Nela há fotos do autor da reclamação, fazendo churrasco no vagão doado ao grupo de ferreomodelismo que ele dirige. O recinto, após os shows de rock, também realizados ali e que ele tanto frequenta, não fica diferente do que se viu no Carnaval. Lógico que é preciso acelerar a limpeza do local após os eventos, mas proibí-los ali por isso, não há cabimento.
Exceto por estes dois fatos negativos, o Carnaval de Bebedouro pode ter encontrado seu rumo. Talvez seja a hora de aproveitar estes 365 dias que antecedem o carnaval de 2015, para planejar a festa do ano que vem. O molde já está pronto.
Por mais que saudosistas chorem, ficou claro que o Sambódromo é bom para assistir espetáculos que já não existem nos dias atuais. Podem sim, baterias de escolas de samba voltarem a dar seus shows exatamente como faz a Banda da Lua, mas sem dinheiro público e com amor pelo samba. E o Sambódromo poderia transformar-se em espaço cívico para desfiles escolares, também aberto a eventos, com outras várias funções e não apenas sediar o Carnaval, uma vez por ano.
Parabéns à Coordenadoria de Cultura e Eventos, pela programação, plenamente acolhida pela população. Que esta competência continue nos demais meses do ano.

Publicado na edição nº 9666, dos dias 6 e 7 de março de 2014.