Os partidos se desmancham no ar

José Renato Nalini

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A Democracia Representativa se faz através de Partidos Políticos. O que são os Partidos? São agremiações que congregam seguidores de uma ideologia própria. Há várias concepções viáveis de gestão da coisa pública. Os Estatutos partidários elaboram suas propostas, a partir de seus ideais e oferecem essa opção aos eleitores. Os que se convencem, filiam-se a esse Partido.

Só que é difícil explicar para o mundo, que no Brasil existem quarenta ideologias diferentes. Será que há todas essas opções para o exercício de um governo democrático? Ou os Partidos estão atendendo a interesses personalíssimos de seus criadores? Não seria uma forma de obtenção de verbas extraídas dos Fundos Partidário e Eleitoral? Isso é benéfico para o aprimoramento da Democracia?

Na verdade, os velhos partidos da História do Brasil tiveram sua galeria de antepassados. Tinham um passado de lutas, derrotas e também de glórias. Podiam invocar uma tradição que servia de inspiração nos momentos de dificuldade. Era essa invocação que permitia o reencontro da fé perdida. E também servia para renovar os princípios fundadores, legitimar escolhas de renovação.

Hoje, parece inexistir uma distinção real entre um Partido e outro. Tanto que eles se concentram numa área de penumbra que acolhe a tipos bem antagônicos entre si, sob o nome sugestivo de “Centrão”. Assim mesmo: aumentativo para acolher gregos e troianos.
O perigo maior é a existência de Partidos de um homem só. Partido é expressão de um grupo. É uma parte considerável do pensamento comum. Quando um Partido se funda sobre a lealdade incondicional em relação ao chefe, e não em relação a uma ideia ou um projeto, ou a uma utopia que transcende a figura transitória do chefe, ele se torna uma facção que não poderia ser chamada de Partido.
Política é a arte de coordenar esforços para gerir o bem comum. Não pode ser um fenômeno de lealdade clientelista. Isso acaba com a Democracia.

(Colaboração de José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022).

Publicado na edição 10.565 de 24 a 26 de março de 2021.