Outra vez!

Antônio Carlos Álvares da Silva

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A tragédia se repetiu. Primeiro, em Mariana. Agora, em Brumadinho. A causa: Rompimento da barragem e projeção de rejeitos sobre casas, plantações e rios. O Brasil tem mais de 850 barragens. Isso causa imensa preocupação. A tragédia pode se repetir, com mais morte e poluições de rios. E leva a uma pergunta inevitável: No Brasil, existem grande número de barragens de usinas hidroelétricas e nenhuma se rompeu. E a Holanda tem um terço de seu território abaixo do nível do mar e esse gigantesco volume de águas é contido pela construção de diques, há séculos. A mesma pergunta: Por que esses diques não se rompem?

Mesário importante
Saiu publicado no Estadão A-4-19-1: Um dos diretores demitidos da Funai havia comprado uma mesa para a repartição por 22 mil reais. Fiquei aguardando a publicação de esclarecimentos, que explicassem as características da mesa e justificassem um preço tão caro, para um móvel de uso rotineiro. Ainda mais, que um diretor da Funai – Fundação Nacional do Índio – usualmente, não tem funções sofisticadas a ponto de usar um móvel tão especial. Porém, passados mais de 15 dias, não saíram mais notícias sobre as características dessa mesa. Dessa forma, passo a meus leitores a tarefa de pesquisar sobre o assunto. Tal como: Se essa mesa vem com cadeira. Em se tratando da Funai, essa dúvida é pertinente, já que lembra aquele refrão antigo: Jacaré comprou cadeira, mas, não tem bunda pra sentar!

Telefones
Todos sábados e domingos vou ao Bebedouro Shopping, por voilta das 13, 14 horas. Muitas vezes, para almoçar e sempre para tomar café. Uma dessas vezes, vi sentado sozinho em uma dessas mesas um rapaz barbichinha. Ele tinha sobre essa mesa 4 telefones celulares. Falava constantemente através desses aparelhos. O fato é uma das muitas explicações, porque existem mais de 240 milhões de celulares – número superior de toda a população brasileira. Aliás, todos os dias que circulo a pé pelas ruas de Bebedouro a cena é contínua: Cruzo com pedestres andando e falando do telefone móvel. Isso me faz voltar há mais de 70 anos, para lembrar como eram os telefones de então. O tamanho era de uma caixa de sapatos mais estreita. Eles eram colados a uma parede de casa, à altura de um homem baixo, Na frente dessa caixa existia um bocal, por onde se falava. Do lado direito, ligado à caixa por um fio, existia um fone, para se escutar. Do outro lado, havia uma manivela. Girando essas manivela, se conseguia contato com uma funcionária da Telefônica, chamada telefonista. Quando ela atendia, você fornecia o número do telefone, para o qual queira ligar. Como nessa época haviam em Bebedouro, apenas uns 100 telefones, normalmente se fornecia à telefonista o nome da pessoa, com quem se queria falar. Complicado era fazer ligações interurbanas. Você ligava para telefonista, dava o número do telefone e a cidade. Desligava e esperava a telefonista completar a ligação. Quando ela conseguia completar a chamada, ela ligava para o seu telefone. Toda essa manobra costumeiramente não era rápida. Às vezes, chegava demorar 4 a 5 horas. Por isso, fazer ligações interurbanas, especialmente para locais longínquos era chique. Daí, nasciam brincadeiras. Quando alguém se apresentava aparatosamente bem vestido, em horários e locais inadequados, logo era inquirido: Como você está elegante! O que acontece? Vai telefonar pra São Paulo?

(Colaboração de Antônio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense).

Publicado na edição 10358, 2, 3 e 4 de fevereiro de 2019.