Por favor, sem jogo de empurra na Segurança Pública

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Comércio de Bebedouro vive onda de assaltos e o que se espera é mais união das forças públicas.

Tarde de segunda-feira (8), os comerciantes de Bebedouro tiveram péssimo início de semana, com onda de assaltos cometidos quase que sequencialmente. Não pouparam nem ramo infantil de negócios. Usaram violência, assustaram clientes, funcionários, todos incrédulos com a cena que imaginavam acontecer só em grandes cidades.
Na segunda (8), a indústria de equipamentos eletrônicos Samsung foi assaltada com ousado esquema de organização, próximo de Campinas. Os bandidos levaram celulares, tablets e notebooks, todos sem rastreadores, o que impossibilita descobrir para onde foram os produtos que encheram sete caminhões, valendo cerca de R$80 milhões.
Pelos dados da Secretaria Estadual de Segurança do Estado de São Paulo foi constatada onda de roubos em muitos municípios, principalmente próximos à capital. A sensação de insegurança é nítida, sentida aqui também pelo relato do entrevistado da Gazeta, no Gente de 5 de julho, Sérgio Marangoni, que contou ter perseguido um assaltante que invadiu sua casa. Porém, na configuração estranha da legislação, se ele tivesse alcançado o ladrão e lhe feito algo, tornaria-se réu, com muitas chances de ficar detido, mesmo tentando defender a integridade da esposa e das filhas.
Segurança Pública é de competência dos governos estadual e federal, dotados de corporações armadas como polícias civil, militar e federal. Os municípios têm optado pelo arriscado caminho de aparelhar as guardas civis, o que é temerário, pois não contam com recursos financeiros para sustentar esta postura.
Uma das alternativas será empenhar-se para conseguir verbas ou mesmo fazer parcerias com a iniciativa privada para instalação de câmeras de monitoramento em pontos estratégicos, com vigilância 24 horas. No primeiro momento isto inibirá os criminosos e aqueles que, mesmo assim, cometerem os assaltos, as imagens gravadas darão mais pistas para os policiais descobrirem quem são e prendê-los.
Quanto às maiores esferas, já passou da hora de integrarem-se mais para combater o crime. Ao invés de centralizar o recebimento de chamadas 190, seria melhor haver mais compartilhamento de informações entre delegados e oficiais da PM, uso do serviço de inteligência e ações conjuntas. Enquanto permanecer esta atrasada militarização das forças policiais, iremos perder para o crime organizado.

Publicado na edição nº 9717, dos dias 10 e 11 julho de 2014.