Por que não imitar o que é bom?

José Renato Nalini

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Imitar é uma característica própria aos humanos. O mimetismo ocorre também nas outras escalas animais. O homem, porém, costuma imitar e nem sempre opta pelas boas práticas. Ocorre que estas existem e podem ser disseminadas.

Tomei conhecimento de uma delas, chamada de Programa Gabinete da Inovação. Funciona em Piracicaba, onde o engenheiro ambiental Ary Saraiva Rando foi nomeado assessor parlamentar. Ele se preocupou em fazer com que a vontade do cidadão fosse considerada pelos vereadores. O plano é acompanhar os mandatos eletivos sob a ótica da agenda socioambiental.

Todos os municípios têm responsabilidade nessa área. O aquecimento global, produto da conduta humana, ocasiona mudanças climáticas que põem a subsistência da humanidade em risco. Piracicaba foi pioneira porque contou com o mandato coletivo “A Cidade é Sua”, protagonizada pelo PV, o Partido Verde.

O Gabinete de Inovação faz um intercâmbio de boas práticas, fortalece as redes e congrega a cidadania ativa, num caminho auspicioso para a implementação da prometida e sempre negligenciada Democracia Participativa.

O maior perigo que toda espécie de vida corre em nossos dias é o da extinção das condições propícias à continuidade da experiência existencial. Não se pode aguardar iniciativa do governo federal, cuja contribuição foi a “soltura da boiada”, para eliminação dos biomas. Toda cidade pode adotar também a estratégia de escuta popular chamada “minipúblico”. Um grupo é formado em torno de um tema e a população é consultada para a formulação de planos municipais e leis.

É importante lembrar que embora a atenção do eleitorado se direcione às eleições no Executivo, o Parlamento – que foi concebido por Montesquieu como o mais importante, pois o formulador das regras do jogo – adquiriu relevância diante do descalabro do governo e isso precisa repercutir no âmbito dos municípios. Afinal, o município na Federação brasileira é uma entidade com status idêntico ao da União e dos Estados. Tem de fazer valer essa condição. O cidadão tem o direito e o dever de imitar coisas boas para melhorar a cidade em que vive. Afinal, ninguém nasce na União ou no Estado. Nasce-se no município. Este o berço natal!

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022.)

Publicado na edição 10.658, de quarta, quinta e sexta-feira, de 6,7 e 8 de abril de 2022.