Professora troglodita

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Ainda tem esquerdista, que não percebeu essas mudanças e teima em continuar repetindo o discurso da esquerda de 60 anos atrás.

Antônio Carlos Álvares da Silva

Quando eu estudava em São Paulo, na década de 50, o Partido Comunista Brasileiro, foi aumentando gradativamente sua atuação política. Sua mensagem principal era a luta de classes. Dividia a sociedade em proletariado, classe média e elite. Embora seu inimigo natural fosse a elite, sua ira se voltava mais contra a classe média, também chamada de burguesia. Ela era seu principal alvo. A razão é fácil de entender. Era a classe média, quem impedia os proletários de vencerem as elites nas eleições. As elites eram compostas pelos fazendeiros, pelos industriais e pelos banqueiros. Mas, as mais atacadas, eram as multinacionais, que representavam o amaldiçoado imperialismo americano. Mas, o passar do tempo fez a situação mudar. Os banqueiros e os industriais perderam a individualidade, substituídos por grandes sociedades anônimas, representadas por siglas, que se confundiam com grandes empresas estatais, Petrobrás, Vale, Cemig, Banco do Brasil, Caixa Federal. Ficava difícil odiar uma simples sigla, ainda mais, que elas criavam muitos empregos, para os mais pobres. O mesmo aconteceu com as multinacionais instaladas no ABC paulista, ao criarem bons empregos. A fúria contra as multinacionais perdeu força, quando a frase de Roberto Campos não conseguiu ser contestada. Ele afirmava: “São Paulo tem muitas multinacionais e é o estado mais rico do Brasil. O Piauí não tem nenhuma e está atolado na miséria.” Essa realidade formou uma onda, que persiste até hoje. Todos os estados brasileiros concedem benefícios fiscais para as indústrias se instalarem em seus territórios.
Todo esse quadro enfraqueceu o discurso do PCB e dos partidos de esquerda. A classe média foi esquecida e o termo burguesia desapareceu. Ainda mais, depois que o PT se aliou a setores da classe média e chegou ao poder. Aliás, o atual mote do PT é ter incorporado uma boa parte do povo à classe média. Mas, ainda tem esquerdista, que não percebeu essas mudanças e teima em continuar repetindo o discurso da esquerda de 60 anos atrás. Foi o que fez Marilena Chaui, professora catedrática da USP. Discursando no debate sobre os 10 anos de governo do PT, ela disse “ODEIO A CLASSE MÉDIA, É UM ATRASO DE VIDA, A ESTUPIDEZ, O QUE TEM DE MAIS REACIONÁRIO, CONSERVADOR, ARROGANTE E TERRORISTA.” Até terrorista, professora? Acho inacreditável, uma professora titular da USP, em pleno século 21, proferir, em poucas palavras, um conjunto de afirmações tão desconexas, ilógicas e absurdas. Principalmente, se for lembrado, que ela continua apoiando o PT integralmente. Será, que ela não percebeu, que os 10 anos de governo do PT são uma continuação do estilo de todos os governos anteriores, com um forte acréscimo de corrupção? Daí, obriga a uma outra pergunta: Com essa mentalidade, o que será, que ela ensina a seus alunos da faculdade? Ser professor, antes de tudo é abrir a mente dos alunos. Isso se consegue, apresentando as várias correntes de pensamento, as várias opiniões. Dessa maneira, dão a eles, a oportunidade de comparar e chegar a uma conclusão, através do raciocínio. Se o professor está tão bitolado e é tão sectário, que só uma pequena face do pensamento, vai desensinar, em vez de ensinar. Mesmo estando na USP.

Gibran Khalil Gibran
No dia 2 de maio último foi inaugurada em São Paulo, no Memorial da América Latina, uma exposição em homenagem aos 130 anos de nascimento de Gibran Khalil Gibran, no Libano. Embora tenha vivido apenas até os 48 anos, conseguiu se destacar como pintor, poeta e escritor. Ele criou fama, como autor do livro “O Profeta”, que virou livro de cabeceira de várias celebridades e influenciou escritores e políticos em todo o mundo. Kennedy e Bush citavam suas frases em seus discursos. Muitos de seus versos foram musicados e transformados em canções de sucesso. Entre outros, Elvis Presley e John Lennon as cantaram. Esses fatos me lembraram um episódio: Em 1983, em nome dos advogados de Bebedouro, fiz uma saudação ao desembargador, Godofredo Marques Mauro, que advogara muito tempo na nossa cidade e estava recebendo o título de cidadão bebedourense, dado pela Câmara Municipal. Lembrei, que ele deixara o conforto de sua casa em Bebedouro, para fazer carreira de juiz, em várias cidades paulistas. Uma peregrinação, distribuindo justiça. Daí, fiz uma analogia, citando o seguinte verso de Khalil Gibran: “A aurora nunca nos encontra, onde o poente nos deixou. Mesmo, quando o mundo dorme, nós caminhamos. Somos a semente de uma planta tenaz. Quando amadurecemos e adquirimos plenitude de coração, o vento se apodera de nós e nos espalha.” 30 anos se passaram e esse verso me fez o favor de voltar à minha memória. Seja bem-vindo!

 (Colaboração de Antônio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense).

Publicado  na edição nº 9551 dos dias 25, 26 e 27 de maio de 2013.