Quando descobri a doença celíaca…

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Carolina Martins da Costa

Obter um diagnóstico conclusivo para a doença celíaca (DC) não é fácil. Algumas pessoas sofrem toda uma vida até entenderem o que são e quais as causas daqueles sintomas que as perseguem. Também não é nada fácil “digerir” esse diagnóstico, e com o perdão do trocadilho, desse mal que acomete principalmente o aparelho digestivo. No meu caso, assim que tive a confirmação, foi como se perdesse o chão. Tudo aquilo parecia muito absurdo. Como eu poderia viver sem tomar minha cervejinha, sair para comer uma pizza sábado à noite, comer os bolos da vovó e as bolachas recheadas?
A primeira coisa que fiz foi correr para a internet, visitando o Google, Facebook. Encontrei muita informação, porém, quanto mais eu lia, mais me assustava. Era muita novidade para quem nunca tinha ouvido falar no assunto. Assimilei o que considerava mais importante como, não fazer refeições fora de casa e que deveria procurar um nutricionista. Porém, fiquei um tempo sem ler sobre o assunto, até que passasse o susto – principalmente no Facebook, onde a experiências de algumas pessoas me deprimiam e opiniões me pareciam exageradas. Naquele momento, precisava focar na minha recuperação.
Feito isso, procurei uma nutricionista que já tinha me ajudado no passado, mas mudou-se para outro estado. Mesmo de longe, ela me orientou com uma dieta para restabelecer a flora intestinal. Fiquei cerca de dois meses com uma alimentação bem restrita. Foi muito difícil, mas assim me reergui. Não sentia mais os sintomas que me incomodavam, parei de perder peso e isso foi me animando, dando forças para continuar.
Nesse período, o apoio da família e dos amigos foi fundamental. Não deixei de participar de reuniões com a turma, nem de festas familiares – sempre levando minha marmita, como faço até hoje em muitos casos. O ser humano precisa socializar. Se a gente se isolar, principalmente na fase inicial de aceitação, quando estamos muito sensíveis, nosso psicológico vai ser prejudicado.
Assim que comecei a perceber que essa nova vida não seria tão terrível como pareceu de início, voltei a pesquisar mais e a participar mais do grupo “Viva sem Glúten”, no Facebook. Lá encontrei pessoas fantásticas, exemplos de superação, que me mostraram que existe vida após a DC. Também através desse grupo, fui conhecendo novas receitas e novos produtos. Percebi que poderia sim comer pães, biscoitos, bolos, pizzas, massas, mas com todo o cuidado possível, sabendo sempre a procedência e como foi preparado.
Quero ajudar no que for possível na divulgação da doença celíaca, pois tenho certeza que se eu tivesse mais informações antes do meu diagnóstico, o impacto seria muito menor e minha aceitação seria mais tranquila. Por outro lado, fico muito chateada quando vejo pessoas que, mesmo tendo o diagnóstico, têm dificuldade em mudar de postura. Relutam em buscar informações com profissionais especializados, acreditam que a única dificuldade do celíaco é buscar nos rótulos dos alimentos a inscrição “Não contém glúten”, não se preocupam com a contaminação cruzada. Enfim, imaginam que dessa forma podem ser mais felizes, quando na verdade, estão prejudicando muito seu organismo e sua saúde.
Aceitar a condição celíaca em sua vida é o melhor caminho para viver melhor e por mais tempo. Mas como aceitar? Infelizmente, não creio que exista uma fórmula mágica, cada indivíduo reage de uma forma e toma suas próprias decisões. Mas, comigo, resumiria nos seguintes passos:
• Susto e indignação;
• Foco no restabelecimento e nas informações mais importantes;
• Busca por profissionais especializados;
• Não abandonar a vida social;
• Apoio de amigos e familiares;
• Estando mais segura da nova condição, buscar conhecimento mais aprofundado;
• Participar de grupos de apoio e conhecer outros celíacos.
No mais, só posso dizer, cuide de sua saúde e seja feliz!
(Colaboração de Carolina Martins da Costa, secretária executiva, casada e mãe de Miguel, de 3 anos. Descobriu a doença celíaca em novembro de 2011, aos 31 anos).

Publicado na edição nº 9565, dos dias 2 e 3 de julho de 2013.