Quer Inovar? Tente algo novo

Oswaldo Junqueira Franco

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Parece óbvio, não? Mas por incrível que pareça, muitas vezes os gestores de um negócio se deixam levar pelo que lhes parece mais confortável, ao invés de realmente buscar soluções inovadoras. Não raras vezes, fazem o que o vizinho ou o competidor fez; compram o serviço ou o produto que alguém indicou; buscam a consultoria mais cara, ou o conselheiro mais titulado.
Mas será que os resultados dessas escolhas realmente trazem soluções efetivas para os problemas que se apresentam? Será que problemas específicos podem ser resolvidos através de soluções generalistas? Fosse assim, qualquer leitor de horóscopo diário de jornais de grande circulação sempre teria o melhor da saúde, do amor e dos negócios!
Acreditamos que ninguém conhece o seu negócio tão bem quanto você mesmo. Assim, o endereçamento eficiente de questões e de problemas existentes parte – prioritariamente – de você. Não adianta esperar que “alguém” vá surgir com soluções definitivas. O conhecimento e a eficiência se constroem num processo de trabalho intenso, contínuo e geralmente, interminável. Porque quando solucionamos um problema, surgem outros, relacionados ou não àquele que acabamos de solucionar.
Melhoria contínua, e em última análise, evolução. É isso que devemos buscar como gestores, a fim de assegurar a perpetuação do negócio. Nesse sentido, as restrições financeiras podem ser grandes mestres. Sem elas, o negócio pode ficar perdulário e ineficiente.
Em seu livro “Nāo há tempo a perder”, o velejador Amyr Klink, um mestre no planejamento de seus projetos nos diz: “Na estrutura de um projeto, todos os detalhes importam, como todas as funções devem ser respeitadas e as pessoas ouvidas”. Outro exemplo, do mesmo Amyr Klink: “Caramba: como se consegue dirigir uma jangada de piúba, que não tem leme?
Reparei que um professor de Engenharia Naval da USP não conseguia responder essa pergunta”.
As melhores soluções muitas vezes são simples e estão dentro de casa, mas na correria do dia-a-dia, não temos tempo, ou criamos condições favoráveis para que processos de inovação aconteçam. Esse “automatismo” muitas vezes nos impede de pensar, de ouvir, e consequentemente, de tomar as decisões mais acertadas.
Portanto, a inovação começa na mudança do modo de pensar e de agir dos gestores, ao criar uma mentalidade aberta e um ambiente inclusivo, de confiança mútua, não apenas com a equipe, mas com todos os “stakeholders”, sejam eles clientes, fornecedores, bancos, acionistas e comunidade onde o negócio está.
Apenas dado esse passo – aparentemente pequeno, mas muitas vezes “gigantesco” para quem o dá – é que as demais ferramentas de gestão poderão cumprir com excelência tudo a que se propõem. Então, se quiser inovar, se dê a oportunidade de tentar algo realmente novo.

(Colaboração de Oswaldo Junqueira Franco, economista pela FEARP-USP e MBA em Finanças Corporativas pelo IBMEC. Atuou por 25 anos no mercado financeiro, em posições de diretoria
em bancos como Rabobank e Deutsche Bank. É sócio da Agronomics, consultoria de gestão especializada no Agronegócio).

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Leia mais na edição 10362, 12 e 13 de fevereiro de 2019.