Ridículos carros alegóricos

José Renato Nalini

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Existe uma categoria de seres que se autoidolatram de maneira tal, que fazem lembrar ridículos carros alegóricos. Querem chamar a atenção sobre si e, para isso, valem-se de todos os expedientes. Por exemplo: políticos que produzem notícias em velocidade supersônica e resultados a passos de tartaruga.

O excesso de propaganda é algo que faz pensar. Se o produto do trabalho é bom, ele fala por si. O conceito de propaganda institucional é polêmico. É como se a mulher administradora do lar precisasse publicar um folheto para provar ao marido provedor, onde é que foi parar o dinheiro do orçamento.

Outros tipos são garotos propaganda de si mesmos. A cada passo, inundam as redes sociais de fotos. Isso acontece com professores, com escritores, com profissionais liberais que acreditam numa publicidade agressiva. Na linha do “falem mal, mas falem de mim”.

A volúpia com que perseguem fama e notoriedade chega a ser patológica. Qual a necessidade de tamanha autopromoção? Somente a psicologia, – a psicanálise ou a psiquiatria – poderiam explicar o fenômeno. Será complexo de inferioridade, que busca uma compensação no aplauso, nas “curtidas”, nos e-mojis de aprovação?

São essas tipologias que se acercam dos famosos, dos que têm dinheiro, poder e autoridade, obrigando-os a posarem para selfies, depois reproduzidas nos instagrans da vida. Vivem à procura de exposição. Não se acanham pelo comportamento infanto-vexaminoso e têm grande desenvoltura em aparecer. Seja como for.

Esta era que começou com os “quinze minutos de fama”, de que falou Andy Warhol, se incrementou no mundo web com a busca de seguidores, com a enfermiça tática de rastejar em busca de fãs, à custa de reprodução de platitudes ao agrado da maioria.

Esta raça, infelizmente, viceja e cresce, vai adentrando, sub-reptícia ou escancaradamente em vários círculos e consegue empestear muitos ambientes. Todos nós conhecemos alguns exemplares que se ajustam, com maior ou menor exatidão, a esse perfil.

São aqueles que desconhecem o sentido de verbetes como humildade, modéstia, autocontenção, avessos a comportamentos discretos. Os maiores divulgadores de sua própria obra. Buscam aceitação, aplauso e reconhecimento. Será que são felizes?

(Colaboração de José Renato Nalini, Diretor-Geral da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Geral da Academia Paulista de Letra).

Publicado na edição 10.771, quarta, quinta e sexta-feira, 12, 13 e 14 de julho de 2023