Saúde do idoso e farmacogeriatria

Luiz Assunção

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Dr. Luiz Antônio da Assunção, farmacêutico clínico, CRF 23.110 SP, Pós-graduado em acompanhamento farmacoterapêutico; e em gastroenterologia funcional e nutrigenômica. Foto: Divulgação

O cuidado com os medicamentos também faz parte do envelhecimento saudável.

O aumento da expectativa de vida é uma das maiores conquistas da sociedade moderna. Hoje, vivemos mais que as gerações anteriores e, com isso, surge um novo desafio: garantir que esses anos adicionais sejam vividos com saúde, autonomia e qualidade de vida.

Quando falamos em saúde do idoso, é comum pensarmos em alimentação saudável, atividade física, exames periódicos e acompanhamento médico. Todos esses fatores são fundamentais. No entanto, existe um aspecto muitas vezes negligenciado que exerce enorme influência sobre a qualidade de vida na terceira idade: o uso dos medicamentos.

À medida que envelhecemos, aumentam as chances de desenvolver doenças crônicas como hipertensão, diabetes, osteoporose, doenças cardiovasculares, ansiedade e depressão. Como consequência, cresce também o número de medicamentos utilizados diariamente.

Essa realidade recebe nome bastante conhecido na área da saúde: polifarmácia, caracterizada pelo uso simultâneo de múltiplos medicamentos. Embora muitas vezes necessária, a polifarmácia exige atenção especial, pois pode aumentar o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos, quedas, internações e perda de qualidade de vida.

Além disso, o organismo do idoso não responde aos medicamentos da mesma forma que o organismo do adulto jovem. Alterações naturais nos rins, no fígado, na composição corporal e no metabolismo podem modificar a ação dos medicamentos, tornando necessária avaliação periódica dos tratamentos em uso.

É nesse contexto que surge a farmacogeriatria, área dedicada ao estudo e ao acompanhamento do uso de medicamentos na população idosa. Seu principal objetivo é promover a farmacoterapia segura, eficaz e individualizada, respeitando as particularidades de cada paciente.

Muitas vezes, sintomas atribuídos ao próprio envelhecimento — como tontura, sonolência, esquecimentos, fraqueza ou falta de equilíbrio — podem estar relacionados aos medicamentos utilizados. Por isso, revisar regularmente a farmacoterapia é estratégia importante para identificar riscos, ajustar tratamentos e melhorar resultados.

O papel do farmacêutico clínico ganha cada vez mais destaque nesse cenário. Sua atuação permite avaliar a necessidade de cada medicamento, identificar possíveis problemas relacionados à farmacoterapia e contribuir para que o tratamento seja mais seguro e alinhado aos objetivos de saúde do paciente.

Envelhecer é um privilégio. Envelhecer com qualidade de vida é uma construção diária que envolve escolhas conscientes, acompanhamento adequado e atenção aos detalhes que impactam diretamente a saúde.

Entre esses cuidados, revisar os medicamentos periodicamente pode ser uma das atitudes mais importantes para preservar autonomia, independência e bem-estar ao longo dos anos.

A população está vivendo mais. A farmacoterapia precisa acompanhar essa longevidade.

(Colaboração de Luiz Assunção, Farmacêutico Clínico, autor de artigos e estudos sobre Polifarmácia e Longevidade).

Publicado na edição 11.013, quarta, quinta e sexta-feira, 17, 18 e 19 de junho de 2026 – Ano 102