Tem de continuar

José Renato Nalini

0
99

Quando se fala em desconhecimento do tesouro escondido na biodiversidade amazônica, não se imagina o quanto o Brasil está perdendo por não se aproveitar de seu patrimônio natural. Noticia-se agora, que pesquisas realizadas na Embrapa comprovaram que uma planta nativa pode ser utilizada para substituir o nefasto mercúrio. Esta substância cruel, que envenena as águas doces, ainda é usada pelos garimpeiros à procura de ouro. Se o aproveitamento desse vegetal se mostrar viável, o ganho ambiental será estupendo.

A espécie vegetal tem o nome científico de ochoma pyramidade, mais conhecida como pau-de-balsa. Uma árvore frondosa, que cresce rapidamente, podendo chegar aos trinta metros. Os moradores da floresta a conhecem, também, como pau-de-jangada, pata-de-lebre e outros, variando o nome de acordo com a região. E, mais espertamente do que os brasileiros, os colombianos já se servem dela, ainda que de forma artesanal, na região de Chocó, para garimpo a céu-aberto.

A fase atual da pesquisa cuida da extração de um bioextrato, retirado das folhas do pau-de-balsa, para servir como substituto do mercúrio. É viável que o extrato seja mais eficiente ainda do que o mercúrio e a sua vantagem é ser totalmente atóxico. Um subproduto considerável é a possibilidade de incremento à plantação de mais exemplares de pau-de-balsa, já que haverá necessidade de permanente utilização das folhas para a produção do bioextrato.

Imagine-se quantas outras espécies da flora estão à espera de uma pesquisa que demonstrará a sua utilização para as mais diversas finalidades, sejam farmacêuticas, alimentares, cosméticas ou de outra ordem, como esta, que envolve o garimpo. É urgente que as Universidades, a academia, os institutos de pesquisa, o empresariado e a mídia, o Terceiro Setor, todos os brasileiros de boa vontade exijam a concretização dos discursos edificantes em relação à Amazônia, que não passam de manifestações gongóricas e de concretização nula.

A bioeconomia pode tirar o Brasil dessa situação de quarto mundo, mera exportadora de comodities, desde que haja continuidade de pesquisas como essa. O que está faltando para o Brasil acordar?

(Colaboração de José Renato Nalini, Diretor-Geral da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Geral da Academia Paulista de Letras).

Publicado na edição 10.772, sábado a terça-feira, 15 a 18 de julho de 2023 – Ano 99