‘Um Lugar ao Sol’ chega ao fim como uma das melhores novelas da Globo

Por Marcos Pitta

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Atuação 1000 – Cauã Reymond e Ana Beatriz Nogueira em cena de ‘Um Lugar ao Sol’, novela das 21h que chega ao fim na sexta-feira (25). (Reprodução/Globo)

Bobo foi quem perdeu a oportunidade de acompanhar ‘Um Lugar ao Sol’, novela de Lícia Manzo que entra em sua última semana, na segunda (21). A trama tem seus erros, que fique claro, desde o começo. Mas, qual obra não tem? É preciso, no entanto, considerar que esta especificamente foi construída em meio à pandemia, com inúmeras mudanças, gravações paralisadas diversas vezes, atores contaminados, redução de capítulos e depois prolongados, provocando alteração na edição. Tudo isto culminou nos deslizes da trama que, mesmo assim, se sobressai.

É impressionante a qualidade do texto. Cada palavra escrita por Manzo cabe perfeitamente na boca dos personagens. A direção artística comandada por Maurício Farias também é de tirar o fôlego e a atuação dos atores, todos, sem exceção, é de arrepiar. Alguns, claro, destacam-se mais que outros, principalmente as atrizes.

Alinne Moraes: A atriz mostra sua versatilidade, mais uma vez, dando vida a Barbara. No início, ela foi vendida como vilã, mas a autora sempre deixou claro que não. A vida, no caso, é que é a antagonista das suas novelas e isto foi muito bem explicado na trajetória de Bárbara e muito bem defendida por Moraes. Em todo capítulo, em toda ação, a atriz rouba a cena para ela, não tem para ninguém. Quando ela está em cena com outros grandes nomes, quem ganha é o público.

Andréa Beltrão: Foi bonito ver a trajetória de Rebeca, papel de Beltrão na trama. Toda a construção da personagem foi impecável, tanto que o posto de protagonista caiu em suas mãos, mesmo sendo considerada coadjuvante. Após 10 anos sem dedicar-se a este gênero, a atriz voltou com tudo, mostrando não ter perdido a mão e conseguindo carregar muito bem os dramas e conflitos de uma personagem muito brasileira, a mulher no auge dos 50 anos, modelo, com medo do avanço da idade e que faz de tudo para sentir-se mais nova. Valeu a pena acompanhá-la.

Ana Beatriz Nogueira: Sempre esplêndida em tudo que faz, Nogueira deu o tom certo para Elenice. A personagem passou a novela toda tentando manter-se em um padrão de vida que não era mais o seu, com momentos cômicos que, do meio para o fim, transformou-se num retrato falado da elite brasileira. Preconceituosa em todos os sentidos, arrogante e prepotente, a personagem foi muito bem incorporada e para quem acompanhou a obra, ficava difícil torcer para a redenção dela. Mas, a autora virou o jogo e, mesmo com tudo que Elenice aprontou, fica impossível não se compadecer com ela, após a descoberta do Alzheimer. Grandes cenas Ana Beatriz tem entregado ao público.

Além destas, foi incrível ver em cena Marieta Severo, trazendo toda sua experiência em companhia de Andréa Horta, a protagonista da história. Mariana Lima também entregou bons momentos, principalmente na reta final, quando sua personagem, Ilana, resolve deixar o marido e assumir o amor que sente pela médica Gabriela, papel de Natália Lage, outro grande acerto de escalação.

‘Um Lugar ao Sol’ vai terminar longe da meta da audiência, mas com certeza, sendo uma das melhores novelas já feitas pela Globo, pelo conjunto da obra.

Publicado na edição 10.653, de sábado a terça-feira, de 19 a 22 de março de 2022.