‘Um lugar ao Sol’ estreia com trama ágil e texto primoroso

Marcos Pitta

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No tom – Cauã Reymond e Alinne Moraes dão vida a Renato/Christian e Bárbara na nova novela das nove que tem conquistado a critica. (Gshow/Alessandra Albuquerque)

Estreou na segunda (8), a nova novela das 21h, ‘Um Lugar ao Sol’, escrita por Lícia Manzo e os resultados são positivos. Todos os elementos que compõem a história de Manzo estão encaixados perfeitamente, em seus devidos lugares. O único ponto que deixa a desejar é o filtro escolhido, a paleta de cores é azulada, deixa tudo mais frio, mas talvez seja este o intuito da direção artística de Maurício Farias para retratar a vida vazia que o protagonista sente ter até que assume o lugar do irmão gêmeo e tentar buscar seu lugar ao sol.

Por falar em protagonista, Cauã Reymond está muito bem na pele dos gêmeos e a cena da morte de Renato, fazendo com que Christian assuma seu lugar é de arrepiar. Boa atuação e direção. Alinne Moraes não fica atrás e dá show de atuação com sua Bárbara, personagem importante que ainda promete entregar muito. Completando este trio de protagonistas, Andrea Horta mostra sua versatilidade ao interpretar a romântica Lara, no tom exato.

Destaques para outros atores como Juan Paiva (Ravi) e Andréia Beltrão (Rebeca), ambos muito bem alocados em seus respectivos núcleos, mostrando a força dos seus talentos que existe nas veias e está perceptível. Beltrão, inclusive, retorna às novelas depois de 20 anos e após brilhar como Hebe, no cinema, em filme que narra a história da vida da apresentadora.

Gordofobia, envelhecimento, questões éticas, relacionamento de mulher mais velha com homem mais novo são alguns dos temas abordados neste começo de novela, mas muitas outras temáticas ainda entrarão no ar, nos próximos capítulos. O fato de a trama ter apenas 107 capítulos facilita bastante tratar todas estas temáticas de forma ágil, sem deixar a novela com as famosas barrigas, ou seja, períodos onde nada acontece.

Por falar em agilidade, a direção está de parabéns na edição das cenas. A trama está realmente muito rápida. A cada novo capítulo, um acontecimento diferente e os ganchos são maravilhosos. Isto permitiu a linguagem de seriado que tanto se discute ser, ou não, incorporada à telenovela. Manzo faz isto no texto e Farias executa na direção.

Alguns elementos comuns em séries podem ser vistos em cenas de ‘Um Lugar ao Sol’, quando por exemplo, na cena de segunda (15), quando a personagem de Andreia Beltrão conhece Felipe, papel de Gabriel Leone, e imagina-se beijando o rapaz bem mais novo que ela. O público, de imediato, entendeu que a cena estava acontecendo, até que ficou explicado podendo ser tanto na imaginação de um dos dois ou de ambos. Esse recurso já foi utilizado em outros momentos da novela.

A crítica especializada só tem elogios para a nova novela e a audiência é o único fator que ainda não encontrou seu lugar. Os números são baixos e há explicações para isto. O horário estava com reprises há quase dois anos, os números de ‘Império’ não estavam bons e a única novela inédita (até então) neste horário, ‘Gênesis’, da RecordTV, está em suas últimas semanas e isso pode ter a ver com a migração do telespectador.

Fora isso, nada mais prejudica ‘Um Lugar ao Sol’ e a autora, já consagrada por suas tramas densas e diálogos marcantes, encontrou no horário das nove, a oportunidade de pesar a mão ainda mais nas palavras, proporcionando ao público, uma novela cheia de amarras interessantes, com muito brilho e cara de novelão, aqueles folhetins à moda antiga, cheio de clichês, mas todos bem utilizados.

Publicado na edição 10.625, de 20 a 23 de novembro de 2021.