Um mundo sem cigarros

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A indústria tabagista não economiza em estratégias que possam conquistar a atenção dos jovens e torná-los viciados ainda na tenra idade: cigarros cheirosos, refrescantes e doces, disponíveis na altura dos olhos e em caixas coloridas.
De acordo com o Ministério da Saúde, 20% a 45% dos jovens entre 13 e 15 anos já experimentaram o cigarro. O IBGE afirma que 75% dos fumantes brasileiros iniciaram o seu vício até os 18 anos. De forma geral, nos países em desenvolvimento a idade do início do vício beira os 12 anos, o que o define como uma doença pediátrica.
Embora muitos saibam, não custa enfatizar que um jovem fumante tem altíssima probabilidade de se tornar um adulto fumante, e quanto mais cedo iniciar no vício, maior será o risco de desenvolver câncer, doenças coronárias, morte na meia idade e várias outras coisas horríveis. Além disso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os jovens fumantes quando comparados aos não fumantes, consomem três vezes mais álcool, usam oito vezes mais maconha e 22 vezes mais cocaína.

Padronização das embalagens

No mundo são computadas anualmente cerca de seis milhões de mortes devido ao fumo, das quais, 600 mil são de fumantes passivos. Mantendo-se a tendência dos números, em 2030 as mortes chegarão a oito milhões, um prejuízo enorme para a sociedade que se vê obrigada a lidar não só com as perdas humanas, mas também com as perdas financeiras.
Em 2016 a OMS escolheu a “padronização das embalagens” como tema para a campanha do dia sem tabaco. Devido às restrições impostas por boa parte dos governos à publicidade e promoção de produtos tabagistas, a indústria investiu pesadamente nas embalagens para que se tornassem mais um elemento importante de cooptação de consumidores.
A ideia da padronização proposta pela OMS define um padrão rígido da forma, tamanho, cor, fonte e maneira de abertura, sem textos ou imagens promocionais quaisquer, mantendo-se apenas as advertências sobre os malefícios do tabagismo.
A Austrália, que vem fazendo o seu trabalho de casa desde 2012, quando iniciou a padronização das embalagens de cigarros, recentemente publicou uma pesquisa promissora contendo os primeiros resultados da campanha: uma queda de 25% na prevalência de fumantes nos últimos três anos.

Parar de fumar é possível!

Seria um tremendo equívoco imaginar o fumante como um mero viciado sem força de vontade para deixar de fumar. Quem fuma sofre de dependência química e sempre vai se deparar com enormes desconfortos físicos e psicológicos que trazem sofrimentos durante as tentativas de abandonar o vício.
Endereçadas pelas propriedades psicoativas da nicotina que atingem o cérebro entre 7 a 19 segundos, o fumante automaticamente associa comportamentos, situações e emoções ao ato de fumar. E é esse cenário de raízes profundas e conjugadas que dificulta enormemente o abandono do cigarro.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) o ato de parar de fumar jamais deveria ser tratado como uma ação de imediata ruptura, mas sim, como um processo planejado ao longo do tempo que se inicia com a mudança de crenças e, principalmente, com a desconstrução das vinculações associadas ao ato de fumar. Em muitos casos e paralelamente à terapia de desconstrução, é necessária a administração medicamentosa que minimize as consequências torturantes dos períodos de abstinência da nicotina.
A recaída, outro tema importante no conjunto das ações para se livrar do tabaco, não deve ser considerada um fracasso. Pelo contrário, deve ser encarada como uma oportunidade para recomeçar o processo e entender melhor os pontos fracos que levaram a ela. O fumante deve se dar todas as chances e todas as oportunidades para parar de fumar.

Por um mundo melhor

Embora tenha havido uma diminuição de fumantes durante a última década, o fato é que ainda estamos longe de comemorar um mundo sem cigarros. E um mundo sem cigarros significa um mundo com no mínimo um bilhão a menos de doentes. Em 31 de maio comemorou-se o dia mundial sem tabaco. Se você não é fumante, mas se interessa pelo assunto, acesse o site http://www.who.int/tobacco/wntd/en/. Se você é fumante e gostaria de parar de fumar, acesse esse outro site http://www2.inca.gov.br/.
Afinal, a nossa saúde é a nossa riqueza.

Publicado na edição nº 9992, de 2 e 3 de junho de 2016.