Um retrato na história

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Antônio Carlos Álvares da Silva

A história do Brasil, que eu aprendi, cada vez mais, sofre outras visões. Começou com um livro, relatando o período, em que Dom João VI e sua mulher, Carlota Joaquina vieram para o Brasil, fugindo da invasão de Portugal, por Napoleão. Salvo engano, essa estada do rei começou por volta de 1810 e durou uns dez anos. Ao contrário da omissa história oficial e de um filme grotesco, o livro retrata Dom João VI, como um homem culto e sagaz, que aproveitou sua vinda, para livrar o Brasil de sua condição de colônia portuguesa e prepará-lo para ser um império independente, sob o comando do filho, Dom Pedro I. Ele deixa clara essa intenção, quando estava voltando para Portugal e se despediu do filho, dizendo a frase indutora de seu propósito: “Pedro, breve o Brasil se separará de Portugal. Quando isso acontecer, coloca a coroa sobre a tua cabeça, antes que algum aventureiro lance mão dela.” Quando, em 1822, começaram falar em independência, ele pegou a deixa e fez a declaração de 7 de setembro. Agora, outra novidade: Reportagem publicada no Caderno 2 do Estadão em 10 de julho último, fala sobre um outro livro sobre Dom Pedro II, que governou o Brasil por quase 50 anos. Nesse livro, Dom Pedro II, é descrito, como um homem normal, dotado de qualidades, sentimentos e todas as paixões fortes do ser humano. O inusitado é, que a reportagem mostra um retrato do monarca na adolescência. Um simples menino loiro. Estou reproduzindo esse retrato, porque na minha vida inteira, pensei no imperador, como um homem velho, sisudo e de barbas brancas. Tinha me esquecido, que ele começou governar o Brasil, aos 15 anos de idade. Este artigo reproduz o retrato porque não existe forma melhor de descrever minha surpresa.

(Colaboração de Antônio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense).

 

Publicado na edição n° 9453, dos dias 22, 23 e 24 de setembro de 2012.