Utilização da borracha no pavimento asfáltico

Paulo Camargo

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Há muito tempo, os pneus de veículos descartados são um problema ecológico difícil de ser resolvido. Leis rigorosas melhoraram bastante o descarte deste material que há bem pouco tempo víamos jogados em córregos e terrenos baldios com muita frequência.
A construção civil em todos os aspectos é responsável pelas mudanças na paisagem. Quem nunca disse: como mudou este bairro ou esta cidade! Normalmente o que mudou foi a paisagem arquitetônica com novas praças, ruas e casas. Com isso, a geração de resíduos sólidos e emissão de gases acabam impactando o meio ambiente. Se pararmos para pensar um pouco, veremos que o fator que mais impacta a vida dos cidadãos neste cenário de obras é a pavimentação asfáltica. O grande aumento de veículos em nossa cidade e a vida útil da pavimentação acabam gerando problemas na manutenção e impactando diretamente nossa rotina de ir e vir. Por conta disso é notável o quanto o asfalto é importante e sua manutenção cobrada pela população.
Por outro lado, temos que ser gratos aos pneus, pois eles são os maiores responsáveis pelo alimento em nossa mesa, nossos passeios, idas e vindas ao trabalho, etc., mas eles também acabam, ou seja, são inutilizados pelo desgaste natural ou por defeitos.
Mas temos uma boa notícia, pesquisadores e empresas de pavimentações vêm pesquisando mais a cada dia sobre a adição da borracha de pneus descartados na massa asfáltica. E esta adição não só resolve uma questão ecológica como também aumenta, e muito, a eficácia do asfalto nos quesitos de qualidade em todos aspectos. A manutenção, como exemplo, é bem menor nas pavimentações asfálticas contendo borracha de pneus. Embora o custo final deste processo acabe ficando mais caro em aproximadamente 30% que o processo convencional retirado do petróleo, sua durabilidade e manutenção é incrivelmente melhor, sendo que a longo prazo acaba diluindo em sua durabilidade, estes custos iniciais. Além de que o asfalto borracha é ecologicamente correto, possui maior resiliência às deformações de tráfego, maior resistência a rachaduras, menor penetração hidráulica das águas pluviais, maior aderência dos veículos.
E se uma obra é boa, ela é boa para todos. Menos manutenção, maior durabilidade, dirigibilidade confortável além de aproveitarmos um material que seria totalmente maléfico à natureza pois sua decomposição demora cerca de 600 anos.
E como é este processo? Os pneus são picados em pequenos tamanhos que depois são selecionados, estes pedacinhos já selecionados são chamados de chips. Estes chips são transformados em pó de borracha e posteriormente misturados com o asfalto (chamado agora de asfalto modificado), posteriormente em sua utilização é misturado aos agregados que compõem a massa asfáltica. Claro que poderíamos falar deste processo por bastante tempo, mas resumidamente é isso.
Infelizmente seu custo inicial e os tempos de crise têm cerceado sua utilização, mas em breve será algo comum no nosso dia a dia. Aguardaremos com carinho.

(Colaboração de Paulo Camargo, engenheiro civil e sub-diretor municipal de obras.
paulodecamargo@hotmail.com).

 

Publicado na edição nº 10489, de 30 de maio a 2 de junho de 2020.