Vacina contra novo coronavírus começa a ser testada no Estado

Seguindo recomendações médicas, José Henrique Germann deixa cargo de secretário Estadual de Saúde. Infectologista Jean Gorinchteyn assume.

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Saindo – Por recomendações médicas, José Henrique Germann deixa a pasta, que ocupava desde o início da atual administração. O médico emocionou-se durante a homenagem de João Doria e demais presentes, na coletiva. (Divulgação/Governo de SP)

O Estado de São Paulo deu início, na terça-feira (21), à testagem da vacina contra o novo coronavírus no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O imunizante foi aplicado nos primeiros voluntários, iniciando o estudo que será conduzido pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Life Science, parte do grupo Sinovac Biotech.

Testagem – João Doria acompanha a aplicação da nova vacina contra a Covid-19 na primeira voluntária, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. (Divulgação/Governo de SP)

 

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina é o centro coordenador do estudo clínico que será ampliado para outros 12 centros de pesquisa de cinco estados e do Distrito Federal, dentre eles, o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e a Faculdade de Medicina de Rio Preto.
“Ao longo dos próximos três meses, os voluntários serão acompanhados por equipe científica, com acompanhamento inclusive de supervisores internacionais, dado o fato de que essa é uma das mais avançadas vacinas do mundo, que entra na sua terceira fase de testes, já tendo superado as fases 1 e 2 com grande sucesso”, esclareceu o governador João Doria, em coletiva de imprensa.
A fase 3 do estudo recruta cerca de nove mil profissionais de saúde que trabalham em instalações especializadas para Covid-19 nos doze centros de pesquisa brasileiros, dos quais 890 pessoas são profissionais do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo. Nos demais centros, a testagem iniciará progressivamente na próxima semana e a previsão é de que seja concluída em todas as instituições até meados de setembro.
Para participar do estudo, o candidato não pode ter sofrido infecção provocada pelo novo coronavírus, nem ter participado de outros estudos. As mulheres não podem estar grávidas ou estarem planejando gravidez para os próximos três meses. Outra restrição é não ter doenças instáveis ou que precisem de medicações que alterem a resposta imune. Os voluntários serão acompanhados durante um ano no Hospital das Clínicas da FMUSP por equipe multidisciplinar que envolve médicos, enfermeiros e farmacêuticos.
“Entre os recrutados, metade receberá duas doses do imunizante num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de placebo, uma substância com as mesmas características, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Estas pessoas serão monitoradas pelos centros de pesquisa por meio de exames entre aqueles que tiverem sintomas compatíveis à Covid-19. Assim, poderá ser verificado posteriormente se quem tomou a vacina ficou de fato protegido em comparação a quem tomou o placebo”, explicou Esper Kallás, professor titular de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP.
Os pesquisadores do hospital analisarão os voluntários em consultas agendadas a cada duas semanas, sendo que a estimativa é concluir as primeiras análises em até 90 dias.
Caso a CoronaVac seja aprovada, a vacina será produzida pelo Instituto Butantan a partir do início de 2021, com mais de 120 milhões de doses e distribuída através do SUS (Sistema Único de Saúde) aos brasileiros.

 

Troca na Secretaria de Saúde

Seguindo recomendações médicas, José Henrique Germann deixa o cargo de secretário de Estado da Saúde de São Paulo, que ocupava desde o início da atual administração, na terça-feira (21). A partir de quarta-feira (22), o médico infectologista do Instituto Emilio Ribas e do Hospital Israelita Albert Einstein, Jean Gorinchteyn, assume a função.

Entrando – O médico infectologista do Instituto Emilio Ribas e do Hospital Israelita Albert Einstein, Jean Gorinchteyn, assume a Secretaria Estadual de Saúde. (Divulgação/Governo de SP)

 

“Doutor José Henrique Germann, ao longo de um período de 19 meses, cumpriu brilhantemente o trabalho à frente da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Não houve nenhuma razão de qualquer outra ordem, exceto a orientação de saúde que ele recebeu de seus médicos. Quero publicamente agradecer ao doutor Germann pela qualidade do trabalho, confiança, dedicação e capacidade de integrar e harmonizar equipes”, agradeceu João Doria, quebrando o protocolo para solicitar aplausos ao secretário, que emocionou-se.
Gorinchteyn é professor de infectologia na Universidade de Mogi das Cruzes, onde formou-se há 28 anos, além de mestre em doenças infecciosas pela Coordenação dos Institutos de pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e doutor em neurologia experimental pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Desde o ano passado, o médico é embaixador do Instituto Trata Brasil, que apoia as ações pela universalização do saneamento.
“Temos que entender que existe continuidade, não troca. Nós estamos progredindo de forma faseada, fazendo com que São Paulo volte a ter este novo normal de forma gradual, dando abertura para que todos possam retomar suas vidas e a economia, mas sempre lembrando da segurança e da saúde da população”, frisou Gorinchteyn.
No início deste mês, Germann apresentou problemas cardiovasculares e por indicação médica decidiu afastar-se das atividades como secretário para cuidar de sua saúde. “Pequenos sustos podem significar grandes alertas. No último dia 3 de julho, dei entrada no hospital Albert Einstein, sendo submetido a diversos exames, incluindo o de cateterismo cardíaco. A recomendação médica foi diminuir as atividades inerentes às funções executivas. Gostaria de agradecer ao governador João Doria pela confiança em mim depositada para assumir o honroso cargo de Secretário de Saúde, no início de sua gestão e a quem expresso minha total gratidão”, declarou Germann, emocionado.

 

Publicado na edição nº 10503, de 22 a 24 de julho de 2020.