

Todos os dias, milhares de brasileiros entram em uma farmácia e pedem um medicamento pelo nome comercial. É um hábito tão comum que raramente nos perguntamos se ele faz sentido.
A pergunta que proponho é outra: Você sabe qual é o princípio ativo do medicamento que utiliza?
Depois de quase quatro décadas trabalhando em farmácias e, mais recentemente, na prática clínica, percebi que a maioria das pessoas conhece a marca impressa na embalagem, mas não conhece a substância responsável pelo efeito do medicamento. Essa diferença parece pequena, mas não é.
O nome comercial identifica o produto de uma empresa. O princípio ativo identifica o tratamento. Foi justamente para valorizar essa informação que os medicamentos genéricos passaram a ser identificados pelo nome do princípio ativo. Essa medida ampliou o acesso aos tratamentos e ajudou milhões de brasileiros a compreenderem que diferentes marcas podem conter a mesma substância, com qualidade, segurança e eficácia quando aprovadas pelas autoridades sanitárias.
Mesmo assim, ainda é comum ver pessoas percorrendo várias farmácias à procura de uma marca específica, sem saber que o mesmo princípio ativo pode estar disponível em outra apresentação. Em alguns casos, esse desconhecimento leva a gastos desnecessários e pode até favorecer o uso de dois medicamentos com a mesma substância, aumentando o risco de problemas relacionados aos medicamentos.
Não estou questionando a existência das marcas. Elas cumprem papel legítimo na identificação dos produtos e na concorrência entre fabricantes. O que me preocupa é quando o nome comercial se torna mais conhecido do que o próprio medicamento.
Educação em saúde também passa por ensinar algo simples, mas essencial: o paciente precisa conhecer o princípio ativo do medicamento que utiliza. Essa informação melhora o diálogo com os profissionais de saúde, facilita o acompanhamento do tratamento e fortalece a autonomia de quem convive diariamente com medicamentos.
Na próxima vez que estiver diante de uma receita ou retirar um medicamento na farmácia, faça uma pergunta: “Qual é o princípio ativo deste medicamento?”
Pode parecer um detalhe. Mas é justamente esse detalhe que identifica o seu tratamento — e não a marca impressa na caixa.
(Colaboração de Luiz Assunção, Farmacêutico Clínico, especialista em Longevidade e Uso Racional de Medicamentos).
Publicado na edição 11.020, sábado a sexta-feira, 18 a 24 de julho de 2026 – Ano 102




