Voluntários barretenses testam vacina CoronaVac

Processo de ampliação, que faz parte do estudo da fase 3, foi autorizado pela Anvisa, também abrange mais três centros de pesquisa, em Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Pelotas (RS).

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Parceria – Xing Han, chefe representante da Sinovac para América do Sul, João Doria e Dimas Covas, afirmam que cerca de 94,7% dos mais de 50 mil voluntários testados na China não apresentaram nenhum sintoma adverso em relação à CoronaVac, que apresentam na coletiva do Estado. (Divulgação/Governo de SP)

O governo estatual anunciou, na sexta-feira (25), que a vacina chinesa CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, será testada em voluntários de Barretos.
O processo de ampliação, que faz parte do estudo da fase 3 e foi autorizado pela Anvisa, também abrangerá mais três centros de pesquisa, em Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Pelotas (RS). Com isso, o número de voluntários para a vacina passa de nove para 13 mil. De acordo com a direção do instituto, até sexta-feira (25), seis mil pessoas já haviam recebido as doses.
Para a inclusão de mais voluntários na terceira e última fase de estudos clínicos que estão testando a CoronaVac no Brasil, o Instituto Butantan recebeu a aprovação da Anvisa e do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Desta forma, os ensaios clínicos passam a acontecer em 16 centros espalhados em sete Estados brasileiros e no Distrito Federal.
Apesar do anúncio da escolha de Barretos, o Estado ainda não divulgou a quantidade de voluntários a serem testados na vizinha cidade e nem qual centro será responsável pela organização das aplicações. Segundo o governo estadual, as informações complementares serão divulgadas em breve.
Na região, o Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto iniciou os testes clínicos, no fim de julho, em 500 voluntários. Aos 31 anos, o médico de Bebedouro Edgar Cheli Neto, pneumologista e especialista em endoscopia respiratória foi um dos voluntários a receber a vacina, como parte do ensaio clínico da fase 3 da vacina, para avaliação da eficácia e segurança do medicamento.
O perfil dos voluntários que poderão se candidatar ao estudo permanece praticamente sem alteração: profissionais da saúde que estejam trabalhando no atendimento a pacientes com Covid-19. Entretanto agora, não será realizada triagem para verificação de infecção prévia pelo coronavírus.
Até então, os estudos não permitiam a participação de voluntários com mais de 60 anos. Agora, este grupo de pessoas pode se candidatar. Já as mulheres não podem estar grávidas ou estarem planejando gravidez nos próximos três meses, além disso, o voluntário não deve ter doenças instáveis ou que precisem de medicações que alterem a resposta imune.
Caso a vacina seja aprovada, a Sinovac e o Butantan firmam acordo de transferência de tecnologia para produção em escala industrial tanto na China quanto no Brasil, para fornecimento gratuito ao SUS. Os passos seguintes serão o registro do imunizante pela Anvisa e fornecimento em todo o Brasil.
“A união da experiência do Butantan na produção de imunobiológicos aos esforços da Sinovac permitirá que logo o país tenha vacina efetiva e segura contra a Covid-19, protegendo as pessoas e salvando milhares de vidas”, afirmou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, em coletiva de imprensa.
Na quarta-feira (23), o governador João Doria informou que o Estado receberá R$ 80 milhões em recursos do Ministério da Saúde para reformar fábrica do Instituto Butantan que deve produzir a CoronaVac.
Segundo Doria, até dezembro, o Instituto receberá 46 milhões de doses da CoronaVac, sendo 6 milhões de doses já prontas para aplicação. Outras 15 milhões de doses devem chegar até fevereiro de 2021.
De acordo com Dimas Covas, serão 6 milhões de doses em frascos unidose, vindos da China, e outros 40 milhões de doses em frascos multidoses, que devem ser envasadas pelo Butantan. Outros 55 milhões de doses seriam produzidas no Butantan até maio de 2021.

 

Publicado na edição nº 10521, de 26 a 29 de setembro de 2020.