A glória de ter mãe

José Renato Nalini

0
26

A cada vez que tenho de me solidarizar com quem perdeu a mãe, eu me repito, qual mantra: “Quem tem mãe, tem tudo; quem não tem mãe, não tem nada!”. E acredito, como alguém que descobriu que orfandade não tem idade, que ter mãe viva é uma glória indescritível.

Mãe é a única mulher que ama o filho incondicionalmente. Uma amiga querida, que já se foi, dizia ser capaz de “ir até o inferno para socorrer um filho!”. Por isso existem numerosos textos devotados à maternidade, esse fenômeno divino. É a participação das criaturas na continuação do mister do Criador. A coparticipação na obra generosa de trazer à luz, para esta peregrinação terrena, almas que vivenciarão a ventura de atuar no encanto do convívio entre seres racionais.

Os bem-aventurados que têm mãe, devem cercá-la de carinho não apenas no segundo domingo de maio, mas todos os instantes, todos os minutos, todas as horas, dias, semanas, meses e anos, enquanto ela viver.

Nós outros, que só podemos cultivar a saudade, procuremos honrar a memória daquela que nos trouxe à experiência existencial. Nessa tarefa agridoce – pois existe a ternura da memória e a tristeza da ausência física – os católicos têm uma vantagem considerável: podem invocar outra mãezinha, Aquela que também foi mãe do Salvador e que atende a seus filhos sob inúmeras invocações.

A Mariologia, o culto a Nossa Senhora, nos ensina a levar a sério a hiperdulia. Esse o nome da veneração que a mãe de Jesus merece, em estágio superior à dulia – culto aos santos – e inferior à latria, que é devida exclusivamente a Deus Nosso Senhor.

Nada como ter duas mães: a biológica e a Mulher que serviu aos insondáveis desígnios divinos, gestando por nove meses o Filho de Deus, ensinando-o a caminhar, sorrindo com ele e o acompanhando na vida pública, na paixão e morte.

Que o modelo mariano sirva de inspiração para todas as mães. E que elas tenham hoje um dia sereno, alegre, cercadas de carinho por suas crias. Feliz Dia das Mães a todas as mulheres abençoadas com o milagre da maternidade.

 

A natureza pede ajuda

O bicho-homem tem se notabilizado como eficiente fabricante de desertos. O Brasil é um exemplo de como é fácil devastar e difícil regenerar. A sociedade não se dá conta de que, ao exterminar a cobertura vegetal, elimina a fabulosa biodiversidade com que fomos privilegiados e apressa o fim da experiência humana sobre este sofrido planeta.

A esperança está na Academia e nos cientistas que têm noção mais precisa do risco que todos corremos. Um projeto do grupo de pesquisa sobre Agriculturas Emergentes e Alternativas da Esalq – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, em Piracicaba, conduz pesquisa para implantação de sistemas agroflorestais biodiversos em assentamentos federais no Estado de São Paulo.

O objetivo é fortalecer a agricultura familiar e a sustentabilidade dos territórios de reforma agrária. Para isso, aprimora-se a política pública de implantação de sistemas agroflorestais, em colaboração com o Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

Essa política de capacitação de pessoas para que o campo mereça profissionais habilitados e que se conscientizem de que é urgente uma cooperação de vários agentes para recompor o ambiente vulnerado, é algo que deveria ser replicado no âmbito de cada município.

Em momentos de geopolítica errática, no retrocesso da política ecológica em virtude de incrível negacionismo, é a vez e a hora das entidades subnacionais – sobretudo os municípios – assumirem o protagonismo heroico e salvífico do projeto humano.

Além da regeneração natural, um projeto desses vai favorecer a criação de empregos verdes, vai fazer com que muitas famílias tenham condições de sustento digno, exercendo uma atividade que já foi a principal neste enorme celeiro ecológico chamado Brasil.

A partir desse experimento, é possível identificar áreas com potencial para expandir os sistemas agroflorestais em assentamentos paulistas, com foco nos impactos verificados e considerados os contextos biofísico, sociocultural e agroecológico, em consonância com os mercados consumidores.

Outras iniciativas convergentes com a intenção de reprimir o êxodo rural e de incentivar a permanência da juventude na lavoura, são muito bem vindas. O Brasil só tem a ganhar se reconhecer que o agronegócio é e continuará a ser a “salvação da lavoura”.

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo).

Publicado na edição 11.004, sábado a terça-feira, 9 a 12 de maio de 2026 – Ano 101