
Até o início do século passado o abate de bovinos e suínos era realizado de forma artesanal, geralmente nos próprios locais de criação, muitas vezes sem os devidos cuidados sanitários, o que gerou a necessidade de estabelecimento específico para este fim além da distribuição da carne para consumo da população local.
Desta forma, foi inaugurado em 22 de dezembro de 1906, no início da atual Rua Sete de Setembro, próximo ao Córrego Bebedouro, o primeiro Matadouro Municipal de Bebedouro, construído pelos empreiteiros Basílio dos Santos, Leonardo Garcia e Elisardo Garcia, contratados pela Câmara Municipal.
Durante cerca de cinco décadas o Matadouro funcionou ativamente naquele local, sendo publicado periodicamente na imprensa local os abatimentos realizados, como, por exemplo, setembro de 1921, quando ocorreu o abate de 249 animais, sendo 129 bovinos e 120 suínos; ou em 1923, quando foram abatidos 166 bovinos e 108 suínos, totalizando 274 animais.
No entanto, no decorrer dos anos, surgiram diversas reclamações quanto ao descuido com a higiene no local. Na edição de 11 de maio de 1919, por exemplo, o Diário Nacional denunciava que o estabelecimento estava localizado numa área próxima da região central e rodeado de residências e casas comerciais, a higiene e limpeza exigida não acontecia, pois o gado era abatido sem exames e cuidados necessários, tendo em vista o despreparo da pessoa designada para fiscalizar as atividades.
Com o agravamento da situação, o assunto passou a ser discutido junto ao poder público e em março de 1952, primeiro ano de mandato do prefeito Dr. Pedro Paschoal, foi aberto edital pela Prefeitura para a construção do Matadouro Modelo Municipal, em terreno que fora adquirido para esta finalidade e que se localizava próximo ao início da atual Avenida Quito Stamato. O novo estabelecimento foi inaugurado em 21 de março de 1954, dobrando a capacidade de abate de animais.
No início da década de 1970 o terceiro e último Matadouro Municipal foi construído pelos trabalhadores da Prefeitura e com verbas próprias do orçamento, em terreno de 3,5 alqueires que fora adquirido pela municipalidade, localizado além da Rodovia Armando de Salles Oliveira, nas proximidades da empresa Olma, atual Granol.
A inauguração ocorreu em 28 de maio de 1972, com a presença de convidados e autoridades como o prefeito Hércules Pereira Hortal, vice-prefeito Nivaldo Salvador, vereadores e o cônego José Figuls, da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, que procedeu a bênção da nova obra.
Porém, embora o novo estabelecimento procurasse atender as normas sanitárias exigidas pelos órgãos responsáveis, em julho de 1975 ocorreu o encerramento das atividades por determinação do Ministério da Agricultura, que publicara nova regulamentação para abate e comercialização de carne.
Com o empenho das autoridades locais, foi celebrado um convênio entre a Prefeitura e aquele Ministério, no qual ficou permitiu a reabertura do estabelecimento que, porém, iria servir apenas ao município, ficando responsável pelo abate e distribuição, enquanto a fiscalização ficaria sob a responsabilidade da municipalidade.
Mas as exigências pressupunham uma série de reformas que foram avaliadas como financeiramente inviáveis e, assim, o Matadouro Municipal foi fechado definitivamente, ao passo que o Frigorífico Anglo de Barretos assumiu a responsabilidade de fornecer carne bovina para os açougues bebedourenses. Com a desativação do Matadouro, as instalações permaneceram em desuso por vários anos e em 2018 foram cedidas por concessão a ONG voltada para proteção e cuidados de animais domésticos.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado edição 11.008, sábado a sexta-feira, 23 a 29 de maio de 2026 –101





