A trajetória dos Mercados Municipais de Bebedouro

José Pedro Toniosso

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Fachada do Mercado Municipal, o “Mercado Velho”, inaugurado em 29 de junho de 1963. (Acervo do autor)

A expectativa pela construção de um mercado municipal em Bebedouro remete a cerca de um século, pois a partir da década de 1920 a ideia foi sucessivamente abordada pelos governantes locais, porém foi somente nos anos de 1950 que a ideia passou a ser colocada em prática.

Neste sentido, em 16 de dezembro de 1951, após aprovação pela Câmara Municipal, foi promulgada pelo prefeito Quito Stamato a Lei no. 152, que autoriza a construção ou a adaptação de um prédio ou barracão para que fosse instalado o “Mercado Municipal de Bebedouro”.

No início de 1953, a Prefeitura comunicou que havia alugado o prédio onde funcionara o “Posto São Paulo”, localizado na Praça Rio Branco, na esquina das ruas São João e Francisco Inácio, para que ali fosse instalado provisoriamente o Mercado. Posteriormente, ainda na mesma década, o Mercado foi deslocado para outro imóvel alugado, localizado na altura do número 520 da rua Cel. João Manoel.

Na época surgiu a intenção de transferir a construção do novo mercado para a iniciativa privada, sendo realizadas algumas negociações, mas que não foram levadas a frente. Somente em fevereiro de 1962, no primeiro mandato do prefeito Hércules Pereira Hortal, o intento começou a se concretizar com a compra de um terreno pertencente ao cidadão Abib Lian e localizado na esquina das ruas Tobias Lima e Brandão Veras para a construção do esperado Mercado Municipal.

As obras tiveram financiamento da Caixa Econômica do Estado de São Paulo, tendo 946 metros quadrados de área construída, incluindo 42 boxes, dependência administrativa e instalações sanitárias. Era uma época em que os supermercados ainda não existiam na cidade e o novo espaço representou significativa mudança na forma de se comprar gêneros de primeira necessidade, como cereais, frutas, verduras, carnes e outros produtos.

A inauguração ocorreu em 29 de junho de 1963, com a benção proferida pelo Frei Justino Di Giorgio, seguida pelo descerramento da placa inaugural pelo ex-prefeito Antônio Alves de Toledo, corte da fita simbólica pelo dr. Ricardo Dias de Toledo e por discursos de personalidades locais, como Osvaldo Schiavon, alguns vereadores e prefeito Hércules.

Curiosamente, na época os edifícios públicos não recebiam denominações homenageando personagens da cidade, famosas ou não, prática que se limitava geralmente aos nomes de escolas, ruas, avenidas e praças. Somente nas décadas seguintes tornou-se recorrente “batizar” todos os logradouros público, inclusive mercado, rodoviária, postos de saúde, pontes, viadutos etc.

No final dos anos de 1970, acompanhando a expansão urbana de Bebedouro, surgiu o projeto de construção de mais um mercado municipal, que seria construído na recém-construída avenida Pedro Paschoal, em área doada pelo casal Eurico Medeiros e Marlene T. Tabachi Medeiros, casal que também cedeu o terreno para a construção da nova estação rodoviária.

O prédio do mercado foi idealizado pelo arquiteto João Valente Filho, sendo edificado pelo Departamento de Engenharia da Prefeitura, com mão de obra da municipalidade sob a supervisão do engenheiro Suhail Ismael. A área destinada possuía 13.200 metros quadrados e a área construída totalizou 2.900 metros quadrados. Originalmente possuía 70 boxes, estacionamento, sanitários, lanchonetes e área para serviços em geral.

A inauguração ocorreu em 14 de janeiro de 1983, no final do primeiro mandato do prefeito Hélio de Almeida Bastos. Posteriormente o Mercado novo Municipal passou a ser denominado “Centro Comercial Julien Mutton”

No decorrer do tempo este mercado diversificou os tipos de mercadorias comercializadas e passou a vender também itens de vestuário, calçados, presentes, perfumaria, produtos religiosos e outros, além de ceder parte do espaço para as instalações de filiais de supermercados.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.018, sábado a terça-feira, 11 a 14 de julho de 2026 – Ano 102