Em 1945, novo pavilhão para Santa Casa: o Hospital Nossa Senhora Aparecida

José Pedro Toniosso

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Fachada do Hospital Nossa Senhora Aparecida, pavilhão inaugurado em abril de 1945 em terreno anexo à Santa Casa de Bebedouro. Na imagem, destaca-se o pórtico de entrada com a identificação e os belos jardins. Foto: (Acervo do autor).

A fundação da Santa Casa de Misericórdia de Bebedouro foi decorrente de expressiva campanha para arrecadação de recursos realizada junto à comunidade bebedourense em janeiro de 1911, o que possibilitou que após três meses acontecesse o lançamento da pedra fundamental.

No decorrer dos anos, a campanha foi intensificada e, no início de 1914, ocorreu a inauguração, quando então o hospital iniciou o atendimento. Neste período inicial o estabelecimento funcionou sob a provedoria de lideranças da época, todos com o título honorífico de coronel, nesta sequência: cel. João Manoel, cel. Alexandre Pulino e cel. Raul Furquim.

Em 1933 Monsenhor Aristides da Silveira Leite foi convidado a assumir a provedoria, justo em um momento de crise financeira que colocou em risco a continuidade do funcionamento da Santa Casa. Durante sua gestão, o religioso conseguiu mobilizar a sociedade e lideranças políticas, o que possibilitou o reerguimento do estabelecimento.

Na sequência, em 1936, com transferência da provedoria para Associação Protetora da Infância, constituição jurídica das Irmãs Passionistas, teve início nova etapa na história do nosocômio, que incluiu a edificação de novo pavilhão em terreno anexo, construção que recebeu a denominação de Hospital Nossa Senhora Aparecida.

Às vésperas da inauguração, prevista para 15 de abril de 1945, foi anunciada a programação: missa campal, corte da fita simbólica, homenagem aos médicos falecidos e visita às novas instalações.

Na data anunciada, grande público se fez presente, assim como o prefeito Joaquim Alves Guimarães, juiz de direito dr. Antônio Egídio de Carvalho e outras autoridades. Após a celebração religiosa, todos se dirigiram ao novo edifício para o ato inaugural, que contou com a palavra do diretor clínico dr. Ramiro de Souza Lima, apresentando resumo histórico da instituição, com destaque para os primeiros médicos e provedores.

Dando continuidade à programação, os presentes se deslocaram até a nova capela do Hospital, onde ocorreu a entronização da imagem de Nossa Senhora Aparecida, tendo como paraninfo o cel. Raul Furquim.

Na sequência, na sala dos médicos, ocorreu a inauguração dos retratos dos antigos médicos da Santa Casa e que já haviam falecido, os doutores Zacharias de Oliveira Bahia, falecido em março de 1941; João Antônio Stamato, em 16 de dezembro de 1942 e João Cambauva, em 15 de outubro de 1944. Breves palavras, com aspectos biográficos dos homenageados, foram proferidas pelo dr. Luiz Viana Filho, membro do corpo clínico do hospital.

Na ocasião, a antiga sala de cirurgia da Santa Casa, que fora remodelada e dotada de novos equipamentos, recebeu a denominação de dr. João Cambaúva, homenageando aquele que na condição de diretor clínico, havia idealizado e dado início à construção do Hospital Nossa Senhora Aparecida, então inaugurado.

O novo pavilhão era constituído por novos quartos e apartamentos, instalações de raio-X, laboratório, farmácia, clínica cirúrgica e outras.

No entanto, essa construção somada às já existentes não foi suficiente para suprir a crescente demanda por atendimento médico hospitalar e, desta forma, após detalhada avaliação das instalações do prédio da Santa Casa, observou-se a necessidade imediata da edificação de dois novos pavilhões para a enfermaria.

Descartada a possibilidade de acrescentar outro andar à estrutura já existente, a alternativa foi a total demolição da primeira construção, sendo erguido novo prédio de três pavimentos, procurando atender a todas as exigências médicas e sanitárias.

A inauguração da modernizada Santa Casa ocorreu em 11 de fevereiro de 1953 e, dessa forma, o estabelecimento hospitalar ganhou outra fachada, sendo mantidas, porém, as quatro palmeiras imperiais já existentes e que se tornaram marca da instituição.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.017, sábado a sexta-feira, 4 a 10 de julho de 2026 – Ano 102