Ainda temos tempo?

José Renato Nalini

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A crise hídrica é muito mais séria do que se poderia imaginar. A pior seca do século não surgiu por acaso. Não faltaram avisos, mas o Estado costuma pensar apenas em eleições e em reeleições. Por isso o cenário catastrófico a se avizinhar.

Tivéssemos cuidado da infância e ensinado a ela que água é bem finito, que água é vida e depende de outra espécie viva – a árvore – e talvez não estivéssemos nesta situação.

Será que ainda dará tempo de ensinar a infância de hoje, para que os adultos de amanhã sejam mais cuidadores da natureza e não seus destruidores?

Precisamos de gerações mais conscientes, que não desperdicem, mas saibam prever os desastres que advirão da insensatez. Somos os maiores produtores de lixo, um lixo riquíssimo, porque estragamos aquilo que ainda poderia ser útil se reciclado.

A Suzano editou um livrinho para estimular a reciclagem, numa concepção bem ampla: cultura, educação e resíduos sólidos. O propósito é fazer a criança pensar em reduzir o imenso volume de resíduo sólido produzido pelos brasileiros.

Começa com Saci-Pererê, que adora ler histórias, faz desenhos e quando não gosta deles, amassa a folha e joga no lixo. Curupira recolhe o lixo do Saci e o leva para sua oficina. Amassa tudo com força e transforma em grandes fardos de papel. O Boitatá pega os fardos de papel e cozinha tudo num grande caldeirão, até virar uma sopa chamada “celulose”. O Negrinho do Pastoreio pega a celulose e leva para a fábrica da Suzano. Lá, ela é transformada em Reciclato, o papel reciclado da Suzano. Quando pronto para ser usado, é entregue a Iara. Esta recebe e começa a escrever seus livros, com histórias plenas de desenho e figuras coloridas. E o papel reciclado não faz mal à natureza. E assim os livros chegam ao Saci outra vez.

É uma série de pequenas histórias que pretendem convencer as crianças da importância da reciclagem. Com isso, elas poderão compreender depois o que significa “economia circular”, já praticada no Primeiro Mundo, de forma a administrar sensatamente os recursos naturais e a tornar a sustentabilidade algo concreto, não mero discurso da moda.

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista De Letras – 2021-2022).

Publicado na edição 10.608, de 11 a 14 de setembro de 2021.