Ajudei a escrever a edição dos 100 anos e me realizo como profissional por isso

Marcos Pitta

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Quem diria que em 16 de janeiro de 2016, quando entrei como estagiário na Gazeta de Bebedouro, eu iria estar ajudando a construir a edição dos 100 anos. Lembro-me que naqueles primeiros dias, eu muito inexperiente, ouvia falar que os 100 anos estava se aproximando, mas eu sempre pensava, ‘daqui oito anos nem sei aonde eu vou estar’. Estou aqui. Isso não significa, nem por um momento, que me estagnei. Pelo contrário, cresci demais, como pessoa e como profissional. A Gazeta foi e é uma escola para mim, o maior complemento da graduação que eu pude ter. Tudo o que sei sobre jornalismo, hoje, é por causa da Gazeta, esta jovem senhora de 100 anos que tenho o maior orgulho de ter segurado a mão e nunca mais ter soltado.

Completei este ano oito anos de casa, mas com a sensação dos 100, porque vivi intensamente cada um desses dias, seja longe ou perto. Fui estagiário, diagramador, jornalista… Realizei entrevistas, fiz diversas matérias sobre todos os assuntos e foi essa senhora, tão generosa, que colocou nas minhas mãos, as matérias de estatística (eu tinha pavor de números e dados). Nunca mais deixei de fazer.

À frente, comandando esta fábrica de notícias, Sarah Cardoso, a diretora, que muito bem me recebeu lá em 2016, merece e terá para o resto da minha vida, gratidão. Sarah confiou em mim, pela Gazeta, três vezes. A primeira, quando cheguei, um menino no terceiro ano de faculdade que nunca tinha escrito uma matéria. A primeira que escrevi foi sobre um campeonato de futebol no Três Marias. Hoje, coberturas intensas sobre os grandes campeonatos de futsal, futebol, basquete e voleibol. Eu nem gosto tanto de esportes… Mas o Marcos Pitta jornalista, ama.

Saí da Gazeta, fui morar na Argentina. Minha saída foi somente do presencial, pois uma pauta me prendeu na redação. Havia uma bebedourense, naquele ano, participando da edição do MasterChef, na Band, e eu falava com ela toda semana para fazer matéria sobre sua permanência no programa. Ela acabou em quarto lugar e eu, voltei para Bebedouro e chegamos à segunda vez em que Sarah e a Gazeta confiaram em mim.

Era 2017, quando me tornei diagramador da Gazeta da noite para o dia. Ainda eram três edições por semana, às segundas, quintas e sábados. Quantos perrengues passei até pegar o jeito, dominar o InDesign e Sarah sempre ali, com a cadeira do meu lado, diagramando página por página, capa por capa, notícia por notícia.
Fui estudar Produção Audiovisual, mais uma vez precisei me ausentar da redação. Saí da diagramação, mas não do jornalismo. Segui colaborando com matérias e com esta coluna. Mais pra frente, com a pandemia, voltei para Bebedouro e novamente entrei na redação da Gazeta. O cenário caótico me colocou de volta neste lugar que amo e nunca mais sai. Agora, sigo escrevendo pauta a pauta e faço a Gazeta inteira ao lado da Deborah (Ribeiro), e está aqui, acontecendo agora, a terceira confiança de Sarah em mim.

Tenho o maior orgulho de dizer que muitas pautas construí, fui atrás, apurei, escrevi, me emocionei, fiquei irritado, inconformado, entrevistei queridos e (des)queridos. Fui e sou jornalista, sempre, sem nunca perder minha humanidade, mesmo quando a pauta me coloca perto disso. A Gazeta me ensinou a ser.

Em tempo, mesmo acreditando que extrapolei o limite de caracteres, agradeço pelos meus amigos de trabalho: Fernanda Mazurek, Deborah Ribeiro, Gabriela Brack e José Piutti. Ao lado de vocês eu me tornei mais jornalista, acreditem…

Escrevi a edição centenária e o sonho daquele jovem que entrou na faculdade aos 17 anos dizendo ‘vou ser jornalista para trabalhar em redação’, se tornou realidade e continua sendo realizado todo dia.

O Critica em Foco tem que ser assim hoje. Obrigado Sarah. Obrigado Gazeta.

Publicado na edição 10.848, de quinta a terça-feira, 6 a 11 de junho de 2024

Ano 100