

A vitória de Beleza Fatal no Troféu Imprensa não nasce de consenso confortável. Nasce de leitura precisa. A novela impõe presença fora do eixo tradicional e reorganiza o peso do gênero ao provar que dramaturgia não depende de grade fixa para existir com força.
O texto de Raphael Montes sustenta essa virada com rigor. Estrutura sem folga, diálogos que avançam conflito e personagem sem recorrer a atalhos. A vilã Lola, brilhantemente interpretada por Camila Pitanga, não pede licença alguma para existir. Em paralelo, a mocinha Sofia, de Camila Queiroz, constrói vingança sem pressa, acumulando camadas que justificam cada movimento. Nada soa gratuito. Cada escolha carrega consequência dramática. E o peso de Giovanna Antonelli como Elvira equilibra o trio de protagonistas, com personagem de alto teor dramático e cômico e mescla a mãe que busca por vingança, mas também luta por amor.
Essa engrenagem só encontra potência plena porque a direção de Maria de Médices entende exatamente o território que pisa. A câmera não observa de longe; se aproxima quando precisa tensionar, recua quando o silêncio pede espaço. Luz recorta rostos em momentos-chave, isolando personagens dentro do próprio conflito. Ritmo de edição respeita respiração da cena, sem pressa de cortar onde o incômodo ainda precisa crescer. Maria não tem medo de fazer novela, simples assim.
E é justamente aí que Beleza Fatal se diferencia. Não tenta parecer outra coisa. Assume estrutura de novelão com convicção e traduz essa linguagem para o streaming sem diluir intensidade. Não existe medo de soar excessiva, porque o excesso aqui é cálculo dramático.
O prêmio reconhece mais do que qualidade. Reconhece deslocamento. Quando a imprensa escolhe Beleza Fatal, legitima mudança de eixo e reafirma que novela ainda dita ritmo emocional do público, esteja onde estiver.
Confira os vencedores – Além de Beleza Fatal que venceu como melhor novela pela imprensa. O remake de Vale Tudo ganhou na votação da internet; Melhor Programa de Auditório foi o Programa Silvio Santos e Domingão com Huck em empate entre os jurados e Programa Silvio Santos ganhou no voto popular; Jornal Nacional, Sandra Annenberg, Ana Maria Braga, Patricia Abravanel, Celso Portiolli e Luciano Huck também foram premiados na noite.
O Troféu ainda chegou para programas como: A Fazenda, Mundo da Lua e Sábado Animado; Simone Mendes ganhou como melhor cantora pelo júri e Ana Castela pela internet; Como cantor, João Gomes levou nas duas votações e a música eleita foi ‘P do Pecado’.
Como melhor atriz e ator, Débora Bloch e Alexandre Nero venceram no júri e na votação do público por seus personagens em Vale Tudo; Pedro Novaes foi a revelação do ano pelo Beto de Garota do Momento, enquanto Mais Você conquistou o voto dos jurados e da internet como melhor programa diário.
Publicado na edição 11.003, sexta a sexta-feira, 1º a 8 de maio de 2026 – Ano 101




