Além do Tempo está de volta e reafirma sua grandiosidade na teledramaturgia

Marcos Pitta

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Ambição, inveja e crueldade marcam o desfecho da primeira fase de Além do Tempo. Pedro e Melissa, vividos por Emilio Dantas e Paolla Oliveira, selam seu destino em uma das cenas mais impactantes da novela. (Foto: Fábio Rocha/ Gshow).

A volta de Além do Tempo às tardes da TV Globo, a partir de 27 de abril, é mais do que simples reprise: é a oportunidade de revisitar uma das obras mais sofisticadas e emocionantes da história das novelas das seis. Escrita por Elizabeth Jhin, a trama se destaca por unir romance, espiritualidade e estética refinada em narrativa que transcende gerações.

Dividida em duas fases, a novela acompanha a trajetória de Lívia e Felipe, interpretados por Alinne Moraes e Rafael Cardoso. Na primeira etapa, ambientada no século XIX, o casal vive um amor impossível, interrompido tragicamente por intrigas e ambições. Cento e cinquenta anos depois, eles se reencontram em uma nova vida, em uma história que aborda reencarnação, redenção e segundas chances com delicadeza e profundidade.

Um dos maiores acertos da produção é a direção de Rogério Gomes, que constrói narrativa visual primorosa. A transição entre as duas fases é conduzida com sensibilidade e inovação, especialmente ao associar imagens do passado ao presente, reforçando a ideia de continuidade espiritual. A direção de arte e a fotografia são deslumbrantes, enquanto a sonoplastia intensifica a carga emocional da trama.

No campo das atuações, o elenco entrega performances memoráveis. Alinne Moraes brilha como a protagonista Lívia, consolidando-se como uma intérprete de personagens épicas e intensas, em química arrebatadora com Rafael Cardoso. Já Paolla Oliveira se destaca como a vilã Melissa, compondo uma antagonista complexa e visceral. Outro ponto alto é o embate entre Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira, que protagonizam cenas antológicas, referência para estudiosos de roteiro e interpretação.

Ao evitar a chamada “barriga” narrativa e apostar em estrutura dinâmica, Além do Tempo mantém o público envolvido do início ao fim. O desfecho da primeira fase é de rara beleza estética, enquanto os ganchos da segunda etapa são envolventes e instigantes, como se espera de uma grande novela.

Poética, elegante e atemporal, a obra reafirma sua relevância ao retornar à programação da Globo. Mais do que uma reprise, Além do Tempo é um marco da teledramaturgia brasileira e uma lembrança de que o verdadeiro amor é eterno e sempre encontra seu caminho, mesmo através dos séculos.

Publicado na edição 11.001, de sábado a sexta-feira, 18 a 24 de abril de 2026 – Ano 101