Benedito Calixto Neto, o arquiteto do maior santuário mariano do mundo, é natural de Bebedouro

José Pedro Toniosso

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Nos primeiros anos do século passado, Bebedouro vivenciava período de expressivo crescimento, em decorrência da rápida expansão da cultura cafeeira que, entre outros desdobramentos, resultou na implantação da linha férrea e na vinda de muitos migrantes e imigrantes.

Com cerca de 4 mil moradores, a cidade passava por diversas transformações, que visavam à modernização urbana e à oferta de serviços essenciais – como água, iluminação, arruamento, calçamento e telefonia – aos munícipes.

Foi neste contexto que o ainda jovem engenheiro João Pedro de Jesus Netto residiu em Bebedouro, quando a cidade desenvolvia projetos de infraestrutura e saneamento básico. Casado com sua prima Fantina, no decorrer dos anos ganharia fama na área de atuação, tornando-se o patrono do tratamento de esgotos de São Paulo.

Durante o período em que permaneceu na localidade, o casal viu nascer seu filho, registrado como Benedito Calixto de Jesus Neto em 27 de maio de 1906. No mesmo ano do nascimento deste, seu avô, o já renomado pintor Benedito Calixto de Jesus também esteve na cidade, possivelmente para conhecer o neto, mas também para dar continuidade ao trabalho de registrar as riquezas e a rotina das fazendas de café.

Nesta condição, entre as pinturas que produziu se destacaram a denominada “Fazenda Santa Maria”, um óleo sobre tela que retrata a paisagem daquela propriedade; e a obra “As Perobeiras”, que representa a preocupação do pintor em relação à devastação da vegetação natural do interior paulista devido ao cultivo do café. No verso desta pintura Calixto deixou registrado: “As Perobeiras (na Terra do Café). É uma espécie de flora paulista que agoniza! De um estudo do natural feito por B. Calixto em 1906, na Fazenda Santa Maria em Bebedouro”.

Após concluir o ensino básico, o bebedourense Benedito Calixto Neto cursou arquitetura pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e especializou-se em arte sacra e liturgia católica, sendo responsável pelo projeto de construção de mais de duzentos templos católicos, espalhados pelas várias regiões do país.

Em meio a tantos, aquele que o tornou conhecido e reconhecido é o da imponente Basílica de Nossa Senhora Aparecida, considerada o maior santuário mariano do mundo e a segunda maior igreja, atrás apenas da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Em 1946, o arquiteto já se tornara conhecido pelos diversos projetos de igrejas católicas e, nesse sentido, recebeu o convite do arcebispo de São Paulo, Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, para desenvolver estudos para uma nova igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida, tendo em vista que o templo já existente não mais comportava o crescente número de romeiros.

Para desenvolver o projeto que atendesse às especificações solicitadas, conforme o histórico divulgado no site do Santuário, o arquiteto empreendeu viagem para diversos países da Europa e da América do Sul, além do México e dos Estados Unidos. A planta foi finalizada em 1949, quando foi solicitada a ida de Benedito Calixto a Roma para apresentar sua proposta à Comissão Romana de Arte Sacra, que o aprovou.

Em 1954, Calixto assinou o contrato para administrar e fiscalizar as obras da nova Basílica e, durante os 18 anos em que entusiasticamente exerceu essa função, acompanhou o erguimento da nave da frente, a cúpula, o salão dos romeiros, entre outros componentes do grandioso templo em estilo arquitetônico românico.

Benedito Calixto de Jesus Neto faleceu em Aparecida em 21 de julho de 1972, aos 66 anos, quando fazia a inspeção de rotina na construção da Basílica Nacional. Desde o início das obras, foram inúmeras as pessoas que colaboraram de forma direta ou indireta, o que levou a administração do templo a criar o espaço denominado “Memorial dos Construtores”, no qual o arquiteto bebedourense é referenciado por ter sido o responsável pelo início da construção em 1955.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.025, sábado a terça-feira, 15 a 18 de agosto de 2026 – Ano 102