Pioneirismo e tradição: a história das primeiras farmácias de Bebedouro

José Pedro Toniosso

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Fachada da Farmácia São José em 1945, na esquina da rua Rubião Junior com a Visconde do Rio Branco, local em que permaneceu por cerca de vinte anos. Foto: (Acervo do autor)

Por volta do ano de 1890, quando Bebedouro ainda não era sequer um distrito de paz, surgia no arraial a primeira farmácia, pertencente a Pedro Bento Carlos e localizada na então denominada Rua do Comércio, a atual Vicente Paschoal.

Conforme registros do pesquisador Arnaldo B. Christianini, na mesma época se instalaram também duas boticas, como eram chamadas as pequenas farmácias, uma pertencente a Joaquim Mathias e a outra, a Manoel Egídio. Não há registro dos nomes dessas primeiras farmácias, por funcionarem de forma precária, possivelmente levavam apenas o nome de seus proprietários.

Já no início do século seguinte, em 1903, foi fundada a Pharmácia São João, de propriedade de João Pedro Antunes, formado na área pela Faculdade de Medicina da Bahia. Três anos depois, esse estabelecimento entraria em nova fase como Pharmácia Antunes, com a entrada na sociedade do seu irmão Pedro Afonso Antunes, também farmacêutico, estando localizada na rua Cel. João Manoel, esquina com a Prudente de Moraes.

Conforme anúncio publicado em edição de agosto de 1908 do Jornal de Bebedouro, “todo o receituário é aviado unicamente pelos pharmaceuticos P. A. Antunes e João P. Antunes com o maior escrúpulo e prontidão, para o que se acham sempre à disposição de todos os fregueses”, e destacava: “preços reduzidos”, “abre-se a qualquer hora da noite, sem augmento de preço.”

Também fundada no mesmo período, a Pharmacia Chaves localizava-se no Lago do Jardim, atual praça Barão do Rio Branco, e era propriedade do “pharmacêutico diplomado” Zeferino Chaves. Em anúncio publicado em edição de 1908 do Jornal de Bebedouro, informava estar sob nova direção e que dispunha de grande sortimento de artigos dentários, além de fazer “analyse qualitativa de urina” e aviar “prescripções, sem aumento de preço a qualquer hora da noite”.

Durante as décadas de 1910 e 1920 diversos estabelecimentos farmacêuticos surgiram, alguns com duração efêmera, outros mudando de proprietários ou direção, sendo poucos os que tiveram continuidade, havendo registros, entre outras, das seguintes casas: Simões, Almeida, Cruz Pulino, Oliveira, Giribello, Guimarães, Bastos e Spínola.

Anos depois, conforme registrado no Almanak Laemmert de 1937, seis farmácias estavam em atividades na cidade: Antunes, Aparecida, Central, Cruz, Santa Terezinha e Stamato, todas localizadas na região central.

Entre os novos estabelecimentos que surgiram na década seguinte, a Drogasil São João já estava instalada em 1939 na esquina das ruas Prudente de Moraes e Quinze de Novembro, no endereço onde funcionara a agência do “Banco Francês e Italiano para a América do Sul”. Com matriz na cidade de São Paulo, possuía filiais em treze cidades do interior paulista, incluindo Bebedouro.

Além dos estabelecimentos citados, merece menção a Farmácia São José, a mais antiga em atividade na cidade. Fundada por Vicente Chiurco na esquina das ruas Prudente de Moraes e Brandão Veras, ela passou por Santino Barusco e Manoel Toledo Júnior antes de se transferir, em 1944, para o cruzamento da Visconde do Rio Branco com a Rubião Júnior. Adquirida pelo farmacêutico Paulo Madeira, obteve em 1947 uma licença especial para funcionar diariamente das 8 às 21 horas, além de integrar o tradicional rodízio de plantões organizado pela Prefeitura para os domingos, feriados e dias santos de guarda.

Em janeiro de 1964, o atendimento do estabelecimento foi transferido para a rua Rubião Júnior, no prédio onde funcionara a fábrica de camisas Nossa Senhora Aparecida. Ali, entre 1959 e 1988, o profissional Adalberto Camolezi atuou como funcionário antes de se tornar o proprietário do comércio.

No início da década de 1990, sob a direção de Camolezi o estabelecimento foi transferido para um prédio próprio construído a poucos metros dali, na mesma via. É neste endereço que as gerações seguintes da família mantêm viva uma tradição farmacêutica de muitas décadas na história de Bebedouro.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.024, sábado a quarta-feira, 8 a 11 de agosto de 2026 – Ano 102