

O município de Bebedouro é assim chamado em decorrência do córrego que possui a mesma denominação, cuja existência remonta a um período anterior à data oficial de fundação da vila. Esse fato pode ser comprovado por diversos documentos e cartas geográficas, assim como por relatos de antigos moradores e memorialistas.
Neste sentido, no processo de formação das primeiras propriedades rurais, destacam-se os apontamentos apresentados por Antônio Alves de Toledo em sua obra “Memórias de Bebedouro”, na qual afirma: “O Córrego Bebedouro, tão decantado por poetas, literatos e até por escrevinhadores, foi de fato o marco inicial da povoação nascente. […] O Córrego Bebedouro tornou-se o ponto preferido dos peões e boiadeiros que acampavam às suas margens […]. Os viajantes das grandes casas comerciais também se habituaram a fazer ponto nas frescas ribanceiras do córrego […]. Assim, os primeiros moradores das terras férteis que marginavam as águas avidamente procuradas por animais sedentos ou por viajantes cansados, houveram por bem cognominar o casario nascente de Bebedouro”.
Nos estudos que realizou em 1949 para a definição da data oficial da fundação de Bebedouro — e que resultaram na publicação do “Ensaio Histórico de Bebedouro” —, Eugênio de Oliveira Silva também concluiu que o nome “Bebedouro” ou “Bebedor” já era conhecido desde meados do século XIX. O termo surgiu em consequência de um córrego em cujas margens animais, primitivos caminhantes e tropeiros, após longas jornadas, faziam pouso e mitigavam a sede.
Já o pesquisador Arnaldo B. Christianini constatou que, na carta de venda e doação da primeira parte do patrimônio urbano, realizadas por João Francisco da Silva e Ana Cezária Pimenta em 3 de maio de 1884, consta que tais terras eram parte da “Fazenda Bebedor”, nome que também derivou do referido córrego.
Desta forma, documentos oficiais e outras publicações do final do século XIX indicam a relação entre o córrego e a vila como, por exemplo, o ato do governo provincial que criou a subdelegacia do “Arraial de São João da Boa Vista de Bebedouro”, publicado em 1886.
Nos esboços sobre o povoado referentes aos anos de 1880 e 1884, são evidenciados o início da formação do perímetro urbano, na margem esquerda, e a localização do antigo pouso, na margem direita do córrego.
Naquele que apresenta o povoado de Bebedouro em 1880 — quando havia uma população estimada de apenas 330 pessoas, incluindo o núcleo urbano e as imediações —, além das poucas construções existentes (pouco mais de trinta unidades), há a indicação de áreas de pastagens, matos, capoeira, areião, brejo, estradas e córregos. Destaca-se ali o ponto onde se situava o antigo “pouso do Bebedor” (pouso dos tropeiros).
O Córrego Bebedouro resulta da junção do Córrego da Consulta (represado para a formação do Lago Artificial e da primeira estação de captação de água) e do Córrego do Retiro (por sua vez represado para a formação da segunda estação de captação). O manancial recebe ainda, no perímetro urbano, as águas do Córrego do Candinho e se estende por pouco mais de 20 quilômetros, desaguando no Ribeirão das Palmeiras, no município de Terra Roxa. Juntamente com outros cursos d’água, o Córrego Bebedouro integra o sistema hídrico da Bacia do Baixo Rio Pardo/Grande.
Apesar de sua importância histórica no processo de formação da cidade, parte significativa da população bebedourense desconhece a localização do manancial. Neste sentido, merece destaque a instalação do monumento “Sede”, situado no início da avenida Prefeito Edne José Piffer, nas proximidades da nascente do referido córrego. Idealizada pelo publicitário Sérgio de Almeida e patrocinada pelo empresário Cristiano de Oliveira, a obra foi inaugurada em 30 de junho de 2024, tornando possível o reconhecimento do local considerado a origem de Bebedouro.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense, www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 11.045, sábado a sexta-feira, 31 de outubro a 6 de novembro de 2026 – Ano 102




