
O agronegócio brasileiro enfrenta cenário de crescente pressão financeira, marcado pela retração do crédito rural, endividamento das propriedades e complexidade dos processos de renegociação.
A restrição ao crédito rural decorre da combinação entre elevação das taxas de juros, redução dos subsídios governamentais e inadimplência crescente em carteiras agrícolas. Produtores têm enfrentado dificuldades para honrar compromissos assumidos em ciclos anteriores, após frustrações de safra e oscilações nos preços.
No campo jurídico, a renegociação de dívidas rurais exige domínio das normas e das condições de programas de refinanciamento, como o Pronamp e o Moderfrota. A ausência de assessoria especializada resulta em acordos desfavoráveis, com garantias excessivas ou prazos incompatíveis com o fluxo de caixa do produtor.
Para as empresas familiares do campo, a crise de crédito representa risco direto à sucessão patrimonial e à governança do negócio. Dívidas mal equacionadas comprometem ativos produtivos, fragilizam a posição negocial dos herdeiros e podem inviabilizar planejamentos sucessórios.
Assim, no contexto atual do campo, a atuação preventiva é indispensável. Estruturar adequadamente as obrigações financeiras, conhecer os instrumentos legais e antecipar os riscos patrimoniais são medidas que viabilizam a continuidade do agronegócio familiar.
(Colaboração de José Mário Neves David, advogado, conselheiro e professor. Contato: jose@josedavid.com.br).
Publicado edição 11.008, sábado a sexta-feira, 23 a 29 de maio de 2026 –101



