Do Trilho ao Asfalto: a história das estações rodoviárias de Bebedouro

José Pedro Toniosso

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Interior do antigo Terminal Rodoviário Dr. Hércules Pereira Hortal na década de 1960, localizado na esquina das ruas Nossa Senhora de Fátima e Vicente Paschoal. Foto: Acervo do autor

No início da década de 1960 o transporte rodoviário já rivalizava com o ferroviário, tendo em vista o crescimento da frota de veículos, a construção de diversas estradas e rodovias e o início de diversos itinerários de ônibus entre Bebedouro e outros municípios, inclusive com a capital do Estado.

No entanto, para que empresas de ônibus viabilizassem a venda de passagens e o embarque e desembarque de passageiros, precisavam recorrer a pontos improvisados, geralmente nas proximidades da Igreja Matriz, ao lado do extinto Hotel Municipal, na rua Prudente de Moraes.

Diante deste quadro, a municipalidade iniciou estudos para viabilizar a construção de uma estação rodoviária e em 12 de abril de 1961 o legislativo municipal aprovou por unanimidade a Lei no. 452, que autorizou a referida construção, sendo definida a área pública localizada na confluência entre as ruas Nossa Senhora de Fátima e Vicente Paschoal, onde até então funcionava uma fábrica de tubos, completada por mais um terreno vizinho que foi anexado após permuta com o proprietário, Sebastião Gabriel Varandas.

A estação rodoviária foi projetada pelo engenheiro Odilo Graner Mortati, de Piracicaba, enquanto os trabalhos de edificação foram dirigidos pelo construtor Roberto Liberato, sendo as obras totalmente realizadas com recursos municipais. Inaugurado em 6 de outubro de 1963, o novo prédio recebeu o nome oficial de “Estação Rodoviária Hércules Pereira Hortal”, prefeito em cujo primeiro mandato ocorreu a construção.

A programação inaugural teve início às 5 horas da manhã com uma alvorada promovida pela Corporação Musical Municipal. Posteriormente, às 10 horas, ocorreu a benção das instalações, realizada por Frei Querubim Rega, seguida por discursos de diversos oradores, incluindo o prefeito em exercício, dr. Rogério Alves de Toledo; os vereadores Osvaldo Schiavon, Antônio Romero Filho e Domingos Paro Filho; além do ex-prefeito e homenageado Hércules Pereira Hortal.

Menos de vinte anos depois, em decorrência do crescimento da cidade, a primeira rodoviária mostrava-se inadequada para atender a demanda de passageiros, o que levou o poder público municipal a decidir pela construção de novo prédio.

Desta forma, em janeiro de 1982 tiveram início as obras da segunda rodoviária, em área de 3.650 metros quadrados, localizada na avenida Pedro Paschoal, em parceria com o governo do Estado. O projeto foi elaborado pela empresa Rodrigues e Valente Arquitetos Associados, sendo João Valente Filho o arquiteto responsável pela obra. Foi construída em 3 pisos, sendo o piso superior no nível da avenida Pedro Paschoal para serviços administrativos, tais como bilheterias, despacho de encomendas, polícia, cabine de som e escritórios; o piso intermediário para serviços comerciais, como bares, lojas, táxi, sanitários e estacionamento; e o primeiro piso, no nível da rua Itália, com as 13 plataformas de ônibus para embarque e desembarque dos passageiros.

A construção da nova rodoviária teve início no primeiro mandato do prefeito Hélio de Almeida Bastos, mas foi inaugurada somente em 1987, no terceiro mandato do prefeito Sérgio Sessa Stamato. Foi construída para atender até 200 partidas diárias, tendo sido denominada como “Terminal Rodoviário Dr. Hércules Pereira Hortal”, mantendo a homenagem concedida ao antigo prefeito.

Com a construção da nova rodoviária o prédio da anterior foi destinado à 3ª Companhia de Policiamento Militar e ao Destacamento da Política Militar, após as necessárias adaptações das instalações.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.032, sábado a terça-feira, 12 a15 de setembro de 2026 – Ano 102