

Em meados da década de 1940 os professores da rede pública estadual e de alguns municípios paulistas se articularam para a criação de agremiações autônomas voltadas para a integração social da classe docente e o fortalecimento cultural da comunidade, com estatutos próprios e geridas pelos próprios professores locais.
O surgimento destas entidades possuía uma lógica distinta do já existente Centro do Professorado Paulista (CPP), fundado em 1930, pois enquanto este fora planejado para ser uma força centralizada na capital e de representação frente ao governo, os clubes locais funcionavam como pequenos núcleos de encontro regional, estando mais voltados para as demandas específicas de cada município.
Neste sentido, o primeiro Clube dos Professores da região foi fundado no vizinho município de Jaboticabal em 1944, pelo professor Sólon Borges dos Reis, quando lecionava no Instituto de Educação Aurélio Arrobas Martins e na Escola Normal do Colégio Santo André, ambos naquela cidade.
Na época, o contexto educacional bebedourense passava por uma fase de transição, pois embora houvesse a oferta do ensino primário nos grupos escolares (Abílio Manoel, Cel. Conrado Caldeira e Botafogo) e em diversas salas isoladas espalhadas pela área rural, notava-se a ausência de um estabelecimento de ensino secundário gratuito, pois as opções eram de instituições particulares (Colégio Anjo da Guarda e Academia de Comércio) ou geridas pelo município, porém sob regime pago (Colégio Municipal).
Diante do exposto, havia um esforço das autoridades locais e dos profissionais da educação para que ocorresse a encampação do Colégio Municipal pelo governo estadual, dando origem a um estabelecimento público de nível secundário para a cidade em 1948, e que posteriormente teria como patrono Dr. Paraíso Cavalcanti.
Foi nesse cenário, e por iniciativa dos professores locais, que em 5 de agosto de 1944 foi criado o Clube dos Professores de Bebedouro, em reunião realizada nas dependências da Associação Comercial Industrial e Agrícola que contou com a participação de 79 professores.
Os trabalhos foram conduzidos pelos membros da Comissão Fundadora, incluindo os professores Antônio Fagin, Stélio Machado Loureiro, Anselmo Gomes, Lavoisier Bueno Escobar e Edmundo Pacheco de Melo. Na ocasião foi feita a leitura dos estatutos, nos quais foram acrescentados vários itens por sugestão dos presentes.
Na sequência foi eleita a primeira diretoria do Clube, ficando assim constituída: presidente, Stélio Machado Loureiro; vice-presidente, Antônio Fagin; secretário geral, Francisco Martins Alvarez; primeiro secretário, Antonieta Garcez; segundo secretário, J. Canuto Marmo; tesoureiro geral, Raimundo Aquino; primeiro tesoureiro, Erasmo Kerbeg; segundo tesoureiro, Lauro Stamato; bibliotecário, Lavoisier Bueno Escobar; conselho fiscal: Anselmo Gomes; Edmundo Pacheco de Melo e Pedro Pelegrino.
Quando da posse da primeira diretoria em 16 de setembro, o Clube já possuía mais de uma centena de associados, incluindo professores bebedourenses e de cidades da região. Participaram do evento visitantes da capital e de cidades vizinhas, como Jaboticabal, Barretos, Monte Azul, Colina, Viradouro, Pitangueiras e Pirangi.
Após a recepção dos visitantes, teve início a programação que incluiu visitas ao Colégio Municipal, Grupos Escolares e Colégio Anjo da Guarda; almoço no Hotel Rio Branco; posse solene no Teatro Rio Branco; e baile no Bebedouro Clube. Entre os palestrantes da sessão de posse, estiveram o professor Sólon Borges dos Reis, do Clube dos Professores de Jaboticabal, e o professor Elisiário Rodrigues de Souza, do Departamento de Educação do Estado de São Paulo.
No curto período em que o Clube dos Professores esteve em funcionamento diversas iniciativas mobilizaram o professorado local, incluindo atividades de promoção da vida cultural, com realização de recitais, serões musicais e palestras; campanhas de assistência mútua e articulação com os movimentos estaduais.
Nos meses seguintes os clubes locais, inclusive o de Bebedouro, foram gradativamente incorporados à Associação dos Professores do Ensino Secundário e Normal Oficial do Estado de São Paulo – APESNOESP, entidade criada em São Carlos no ano de 1945 e que se tornaria nas décadas seguintes o sindicato de professores APEOESP, ou, também, ao Centro do Professorado Paulista, que passou por processo de interiorização.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 11.034, sábado a terça-feira, 19 a 22 de setembro de 2026 – Ano 102




