Google amplia IA na busca e acende novos alertas para estratégias de SEO

Marcos Pitta

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A partir da primeira pag

As mudanças recentes do Google reforçam uma tendência: a busca está deixando de ser apenas ponte entre usuário e site para se transformar em ambiente capaz de responder, executar tarefas e manter o internauta dentro do próprio ecossistema. As novidades das AI Overviews e do Modo IA colocam tráfego, conteúdo e visibilidade no centro das discussões de SEO.

Uma das principais novidades são os layouts interativos nas AI Overviews. A chamada UI generativa permite que a inteligência artificial crie pequenas ferramentas, como quizzes, infográficos, escalas e conversores nos resultados. O recurso começou a ser implementado nos Estados Unidos em agosto e ainda não tem previsão de chegada ao Brasil. Para sites que usam calculadoras e outras ferramentas como estratégia de atração orgânica, a mudança merece atenção.

O Google também testa AI Overviews mais longas, que conduzem o usuário diretamente ao Modo IA e deixam os tradicionais links azuis mais abaixo na página. Na prática, a experiência estimula a interação com a inteligência artificial antes do acesso aos sites, cenário que pode pressionar ainda mais as taxas de clique nos resultados orgânicos.

Em meio ao avanço desses recursos, John Mueller, porta-voz do Google, voltou a afirmar que não existe otimização especial necessária para aparecer nas respostas de IA da Pesquisa. O posicionamento aproxima GEO dos fundamentos de SEO: garantir rastreamento e indexação e produzir conteúdo útil capaz de responder às buscas.

Há também um movimento para notícias. O Google adicionou carrosséis de links às AI Overviews e ao Modo IA para assuntos ainda em desenvolvimento. A novidade, ainda sem previsão para o Brasil, coloca cards clicáveis no início das respostas e pode abrir espaço para publishers recuperarem parte da visibilidade perdida com os resumos gerados por IA.

Outra alteração está nas URLs “go-to”. O Google passou a ocultar o endereço real dos resultados em determinadas pesquisas feitas sem login, medida associada ao combate à coleta automatizada de dados da SERP. Para os sites, não há impacto direto, mas a mudança pode dificultar ferramentas de SEO que dependem desse tipo de coleta.

Fora da busca, a discussão sobre conteúdo produzido por inteligência artificial também cresceu. Estudo do Pew Research Center citado no levantamento estima que 10% das páginas da internet tenham participação de IA na escrita; entre páginas publicadas após o lançamento do ChatGPT, a parcela chegaria a 35%. A análise ressalta, contudo, as limitações dos sistemas usados para detectar autoria por IA.

No LinkedIn, o combate ao chamado “AI slop”, conteúdo de baixa qualidade associado à produção automatizada, ganhou ferramenta de denúncia. Segundo um executivo da plataforma, mais de 1 milhão de pessoas já utilizaram o recurso, contribuindo para redução de 40% na exibição desse tipo de conteúdo.

SEO muda, mas relevância segue no centro.

Publicado na edição 11.030, quarta, quinta e sexta-feira, 2, 3 e 4 de setembro de 2026 – Ano 102