Guerreiros do Sol é demonstração de como a teledramaturgia brasileira ainda é capaz de produzir obras de arte

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Novelão - Isadora Cruz e Thomás Aquino construíram personagens atravessados pelo amor, pela violência, pela resistência e pelo destino. Mais do que conduzir a narrativa, os dois deram alma a uma história que soube equilibrar paixão, tragédia e humanidade. Foto (Estevam Avellar/Globo).

Nem toda novela termina deixando a sensação de que assistimos algo especial. Guerreiros do Sol deixa.

Ao longo de sua exibição, a trama de George Moura e Sergio Goldenberg provou que a teledramaturgia brasileira ainda é capaz de produzir obras ambiciosas, bem escritas e artisticamente marcantes. Inspirada no universo do cangaço, a novela construiu uma narrativa que foi muito além da ação e do romance. Falou sobre poder, violência, amor, vingança, pertencimento e liberdade.

Rosa e Josué, interpretados por Isadora Cruz e Thomás Aquino, sustentaram a história marcada por paixão e tragédia, mas a novela nunca dependeu apenas deles. Personagens como Valiana, Dona Generosa, Coronel Elói e Petúnia ganharam vida própria e mostraram a força de um roteiro que valorizou todo o seu elenco.

Nos vilões, poucos personagens recentes foram tão impactantes quanto Arduíno. Irandhir Santos entregou atuação impressionante e ajudou a construir um dos antagonistas mais cruéis da dramaturgia dos últimos anos. Cenas como a morte de Josué e a decapitação do próprio irmão já entram para a história da televisão brasileira.

A representatividade também foi tratada com maturidade. Jânia e Otília receberam algo que muitos casais LGBTQIA+ não tiveram durante décadas: uma trajetória completa. Já Zé do Bode e Cheiroso emocionaram ao mostrar um amor interrompido pelo medo, pela repressão e pelas circunstâncias da vida.

E acima de tudo isso está a direção de Rogério Gomes. A fotografia, os enquadramentos, os movimentos de câmera, os figurinos e a construção visual da novela transformaram cada capítulo em experiência estética cuidadosamente pensada. Nada parecia estar ali por acaso.

Guerreiros do Sol termina sua passagem pela TV aberta como uma das produções mais fortes dos últimos tempos. Uma novela que respeitou seus personagens, valorizou seus intérpretes e acreditou na inteligência do público.

Publicado na edição 11.012, sábado a terça-feira, 13 a 16 de junho de 2026 – Ano 102