

Entre o final da década de 1960 e o início dos anos de 1970 existiu no alto da avenida Raul Furquim, no bairro recém-constituído Vila Elizabeth uma pequena escola construída por iniciativa do Lions Club de Bebedouro e com capacidade para atender cerca de 120 alunos.
A inauguração ocorreu na manhã de 23 de fevereiro de 1969 com a presença do prefeito Hércules Pereira Hortal, sócios do Lions, autoridades e convidados, além do homenageado pelo novo estabelecimento que foi denominado “Grupo Escolar Prof. Theodoro Montera”
A escolha do patrono do novo estabelecimento escolar foi feita a partir de diversos nomes sugeridos pelos membros daquele clube de serviços e resultou no nome do professor Theodoro Montera, cuja dedicação à educação fora marcante.
Nascido em 1º de janeiro de 1896 em Piracicaba, Theodoro Montera fizera o curso elementar, ginasial e normal na mesma cidade, tendo se formado como professor primário em 1912. No ano seguinte foi nomeado para o Grupo Escolar de Franca e em 1914 foi removido para o primeiro Grupo Escolar de Bebedouro, posteriormente denominado “Abílio Manoel”, onde exerceu o magistério até sua aposentadoria em 1944, ou seja, por 30 anos.
Paralelamente, a partir de 1923 lecionou as disciplinas de Desenho e Trabalhos Manuais no Ginásio Luso-Brasileiro, que depois se tornou o Ginásio Municipal de Bebedouro. Com a encampação da escola pelo Governo do Estado, continuou lecionando no Colégio Estadual até 1954, quando encerrou sua carreira na educação.
Entre os cidadãos de notório destaque homenageados pela Cãmara Municipal na década de 1960, recebeu o título de “Professor Emérito de Bebedouro”, por meio da Lei no. 526, de 7 de dezembro de 1962. No decorrer do mesmo decênio também foram condecorados como eméritos os maestros Pedro Pellegrino (1961) e Paulo Rezende Torres de Albuquerque (1962), o poeta Osvaldo Schiavon (1966), o jornalista José Caldeira Cardoso (1966) e o radialista Hely Simões (1966).
Com a reformulação da educação nacional resultante da promulgação da Lei no. 5.962 de 1971, ocorreu a extinção dos grupos escolares e a fusão do primário com o ginasial, dando origem ao ensino de 1º grau, enquanto o colegial foi substituído pelo 2º grau.
Por consequência, assim como os outros grupos escolares existentes no município, o “Theodoro Montera” também foi extinto, e a homenagem que fora prestada ao professor emérito foi esquecida.
Já na década de 1990, ocorreu a criação do Museu Municipal de Arte e História, instalado em casarão histórico na rua Cel. Conrado Caldeira, sendo destinada uma sala no andar térreo para a instalação da Pinacoteca Municipal, com exposição de obras de artistas locais e de outras pertencentes ao Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), cedidas em comodato à Prefeitura de Bebedouro.
O referido espaço, no qual foram realizadas diversas exposições, recebeu como patrono o nome do professor Theodoro Montera, homenagem que permaneceu até o início dos anos 2000, quando ocorreu o fechamento do Museu e da Pinacoteca naquele prédio.
O professor emérito Theodoro Montera faleceu em 22 de agosto de 1971, aos 75 anos, dos quais cerca de 52 anos residindo em Bebedouro, sendo 41 anos dedicados ao magistério. Homenageado no passado como nome de escola e de sala de exposições, atualmente seu nome está presente apenas em uma rua de pequena extensão na Vila Santa Terezinha, localizada na zona norte da cidade.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 11.012, sábado a terça-feira, 13 a 16 de junho de 2026 – Ano 102




