Sabino: o “sósia” que não queria ser Pelé

José Pedro Toniosso

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Revelado pela Associação Atlética Internacional, João Sabino, o “Pelé de Bebedouro”, defendeu as cores do São Paulo Futebol Clube e estendeu sua trajetória pelos gramados do país, brilhando também em clubes como o XV de Piracicaba e o Uberlândia.Foto: Revista do Esporte número 273, de 30 de maio de 1964 (aprimorada com IA)

Entre os inúmeros talentos do futebol que iniciaram a carreira esportiva no campo da Associação Atlética Internacional, um dos que se tornaram mais conhecidos foi registrado com o nome de João Sabino, mas ficou conhecido simplesmente por “Sabino”.

Nascido no distrito de Botafogo em 2 de outubro de 1938, filho de Antônio Sabino e Izabel Thomás Sabino, começou a jogar futebol no time da Fazenda São Juliano, onde trabalhava com seu pai. Ainda muito jovem, tentou ingressar no time do Botafogo Futebol Clube, no referido distrito, porém sem sucesso. Em seguida passou a treinar no time amador da Associação Atlética Internacional. Promovido para a equipe profissional em 1958, permaneceu no clube até 1961, quando foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube.

Foi na equipe do Tricolor paulista que Sabino vivenciou o momento que considerava o mais marcante em sua carreira, quando seu time goleou o Santos por 4 x 1, em pleno estádio do Pacaembu, no dia 15 de agosto de 1963. Sabino marcou um dos gols do São Paulo, e os outros foram de Faustino, Benê e Pagão, enquanto o único gol do Santos foi marcado por Pelé, que acabou sendo expulso de campo.

No período entre 1961 e 1964, Sabino disputou 84 jogos pelo São Paulo na posição de ponta-esquerda, tendo feito 21 gols. Posteriormente foi contratado pelo XV de Piracicaba, além de ter jogado também por vários outros clubes como Uberlândia Esporte Clube, União Bandeirantes do Paraná, Fluminense de Araguari e Ipiranga de Anápolis.

Ainda no começo de sua carreira, quando jogava na Associação Atlética Internacional, Sabino passou a conviver com as comparações físicas com Pelé, sendo frequentemente apontada sua semelhança com o jogador santista que já era conhecido nacionalmente e que viria a se tornar o maior ídolo do futebol brasileiro. Com isso, Sabino era chamado de “Pelé de Bebedouro” ou também de “Pelé II”.

Tal situação deixava Sabino bastante contrariado, pois afirmava que não possuía os mesmos predicados do ‘verdadeiro’ Pelé. Além disso, percebia que as comparações geravam mais cobranças por bons resultados. Ao mesmo tempo, reconhecia que a semelhança o tornara mais conhecido e teria favorecido sua contratação por um grande time, mas insistia que o peso maior teria sido de suas qualidades futebolísticas.

Possivelmente foram essas qualidades que despertaram o interesse de um clube francês e de outro, mexicano, para contratá-lo, mas como não houve acordo no aspecto financeiro, Sabino acabou por ficar no Brasil.

João Sabino, o “Pelé de Bebedouro”, faleceu no dia 5 de setembro de 1978, no Hospital Santa Inês, na vizinha cidade de Barretos, SP, em decorrência de complicações de hepatite, sendo sepultado no Cemitério de São João Batista, em sua cidade natal. No registro de óbito, consta que sua profissão era açougueiro, omitindo a atuação futebolística a que tanto se dedicou e que o tornara conhecido.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.020, sábado a sexta-feira, 18 a 24 de julho de 2026 – Ano 102