Hidrovia é solução

José Renato Nalini

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São Paulo já foi mais esperta no uso das hidrovias. A ignorância retificou o Tamanduateí e impediu que o transporte fluvial se intensificasse e se aprimorasse, livrando-nos do veneno expelido pelos veículos tangidos a combustível fóssil.

Hoje, o Tietê tem mais de mil e cem quilômetros, passando por trinta e nove municípios, poderia ser um escoadouro muito mais saudável do que a volúpia das rodovias. Outra manifestação explícita de ignorância pública foi abandonar as ferrovias e insistir nos veículos emissores de gases venenosos.

Isso é muito importante para o enfrentamento da crise climática. Os estresses vão ser mais frequentes e mais intensos. Isso porque o aumento da temperatura no Brasil será muito superior à média global e isso vai comprometer a geração energética baseada nas hidrelétricas.

Mais da metade do abastecimento do Brasil é feito por hidrelétricas e elas têm sofrido com as variações da temperatura. Basta lembrar a seca de 2014 a 2015, que tornou muito frágil o sistema e evidenciou que há urgência na recuperação dos cursos d’água, todos sepultados para dar lugar ao asfalto.

Causa espécie que todos os municípios, os Estados e a União deixem de levar a sério o replantio de árvores, das quais o Brasil necessita pelo menos um bilhão de exemplares. Continua a devastação, o desmatamento, mas não se cuida de repor aquilo que a natureza, generosamente, nos oferece e que não cuidamos de cuidar, nem de substituir.

A descarbonização precisa levar em conta a necessidade de mais árvores, para garantir mais água, para que esta sirva não apenas para manter a vida, mas também para, em escala, garantir o transporte hidroviário. Há perspectivas de solução para a situação emergencial da crise climática que ameaça a sobrevivência da humanidade, se houver juízo e vontade política. Chega de estradas, chega de veículos emissores de gás carbônico. Mais barcos, mais balsas, mais utilização inteligente de nossos rios, muitos deles pedindo socorro.

Publicado na edição 10.769, quarta, quinta e sexta-feira, 5, 6 e 7 de julho de 2023

(Colaboração de José Renato Nalini, Diretor-Geral da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Geral da Academia Paulista de Letras).